Duarte Caldeira Ferreira A Laurisilva é uma floresta do povo da Madeira, que ao longo dos séculos a protegeu, utilizou para cortar lenha, fazer carvão, para retirar varas, estacas, "tanchões" e chama de urze que utilizava, principalmente para fazer as latadas e bardos para proteger as culturas dos ventos cheios de salinidade que sopram do mar para a terra, em especial na Costa Norte. Outra utilidade dos terrenos, era a criação de gado, em especial, o ovino, caprino, bovino e suíno, que mais tarde foi proibido, por fundamentalistas mais ou menos ignorantes nesta matéria, mas com a mania de espertos e de mais conhecedores que o povo, que secularmente retirava da nossa floresta todos aqueles bens. Ah, já me esquecia, que também se comiam uns pombos trocaz, pois era permitida a sua caça, em período próprio. Acabou-se com tudo isto, proibiu-se tudo isto, incluindo o porco da serra, verdadeiro tractor da laurisilva, pois cavava o rolo para comer as raízes das feiteiras, permitindo uma melhor germinação das sementes que as aves se encarregavam de espalhar por todo aquele espaço. Hoje temos uma floresta, cheia de mato que época a época se repete o seu fim de vida ou pelo menos a morte da parte aérea, acabando, muitas vezes por arder. A politica de gestão da nossa floresta foi alterada substancialmente, sem que, contudo se tenha verificado alguma melhoria significativa. Antes pelo contrário, as veredas desapareceram no coberto de silvado, o que obrigou, nalgumas zonas a limpezas sucessivas. A Laurisilva não é do Governo e muito menos dos governantes, como alguns querem fazer crer, mas sim do povo madeirense que a soube preservar, ao mesmo tempo que extraía riqueza, como já falamos anteriormente. Nem o pombo trocaz foi extinto, pois a sua caça era permitida e agora com excesso de povoamento, continua a ser protegido e a provocar prejuízos na nossa agricultura. A sua protecção é tal que o agricultor é que tem que sustentá-lo, incitando-se, inclusive a que o agricultor deve perder tempo ( tempo é dinheiro) com a utilização de redes, de fitas e de "tiros" de gás para afugentar o " bicho", quando na realidade o que deveria acontecer é lhe dar fogo no rabo, sempre que ele saia da vasta área de laurisilva que tem para se estender…mas como o agricultor é dócil e aceita tudo aquilo que é decidido sem ser ouvido…. O voto está garantido. Parece-me que já me afastei um pouco do título, em que queria manifestar a minha repulsa pela atitude da Câmara de São Vicente em concorrer ao prémio das maravilhas de Portugal com a laurisilva daquele Concelho, que por sinal nem é da mais bonita, até porque nos útlimos anos tem tido alguns incêndios. Mas o mais curioso é que as imagens da laurisilva que apareceram no respectivo programa, eram do Seixal e não de São Vicente. Aliás se olharmos bem, nos Concelhos de Santana ( Ribeiro Frio, Caldeirão Verde, etc…) e do Porto Moniz ( toda a envolvência do Chão da Ribeira, Fanal, Terra Châ, Montado dos Pessegueiros, 25 fontes, etc…) descobrimos aí as grandes belezas da laurisilva. Assim a candidatura, na minha opinião deveria regional ou conjunta de pelo menos aqueles três concelhos.
Foi uma esperteza saloia, perdão, Algarvia, querer chamar a si aquilo que é nosso.