Miguel Ângelo O que tu foste verde floresta e como estás ferida abafada de fumo e negra como o carvão, quem te feriu assim não sei, só sei que o teu coração está em brasa, com cicatrizes por sarar agoniada de pó e folhas que voam sem destino, ora para Este, ora para Oeste, para Sul e para Norte. Pessoas em desespero, de um lado para outro, tentando salvar aquilo que lutaram uma vida para ser seu, bombeiros incansáveis dia e noite dando tudo de si próprios, amanhecendo em ondas de fumo e cinzas, rodeados de castanho e escassos espaços verdes. Floresta minha, floresta nossa, aqueles passeios familiares em Agosto simplesmente serão quebrados ou cancelados, porque assim alguém o quis, mãos vádias sem valor, sem piedade, cruéis, carregadas de ódio e frustradas, deixaram a nossa floresta de luto e todos aqueles que aproveita-vam-na, como espaço de lazer e descanso. Hoje resta deitar lágrimas,pois a nossa ilha está banhada de cinza pó e fumo, até nas praias sentem-se esses vestígios, onde os banhistas já pensam se vale apena estender a sua toalha, sobre estas cinzas que ali vão chegando. Mas o tempo está quente e vale entrar nas águas mornas de Agosto. Enquanto a nossa floresta vai sofrendo uma dor sem se ver, um sentimento de amargura e tristeza.