O ano de 2010, infelizmente, tem sido marcado pelo culminar de tragédias. Depois de, nos últimos três anos, termos tido a invasão dos mosquitos, o medo de epidemia relativamente à Gripe A, a crise mundial, o corte de verbas da União Europeia e do governo da República e as suas consequências económicas e sociais para a Região, a guerra constante com o governo socialista, eis que este ano fomos assolados pela água e pelo fogo. Os mais supersticiosos poderão associar ao apocalipse estes acontecimentos dos tempos modernos, mas a verdade é que se retirarmos o 20 de Fevereiro da "equação", porque de facto a natureza foi implacável, os outros acontecimentos de uma forma ou de outra têm responsáveis humanos bem definidos. Contudo, é preciso pensar que, independentemente da culpa, as crises e tragédias trazem sempre importantes lições e oportunidades para corrigir o que eventualmente estava menos bem. Obviamente, nada disso trás consolo a quem teve perdas materiais ou mesmo, nas situações mais extremas, humanas. Mas é importante fazer algo de bom, para que não haja depois a sensação de que tudo ficou igual ou que nada poderá melhorar, para que se possa prevenir ou atenuar acontecimentos mais nefastos. Para alguns, com certeza, estas palavras que aqui escrevo, não passam de trivialidades. Para outros, uma forma de chamar a atenção para as mudanças que se estão a operar, para que a população se torne mais consciente, interventiva e ela própria também um agente de mudança. A título de exemplo, por todas as políticas de prevenção que o Governo tenha em relação aos fogos florestais, se a população não ajudar a proteger, se continuar a haver incúria e irresponsabilidade por parte das pessoas, se os proprietários não limparem os seus terrenos, nada será suficiente. Por mais políticas que o governo tenha na prevenção do transbordo dos cursos de água, se as empresas e particulares não pararem de mandar lixo e entulho para as mesmas, haverá sempre problemas. Independentemente das responsabilidades dos governantes, cada um de nós, enquanto cidadão, tem uma responsabilidade individual. Todos temos uma responsabilidade cívica, não só de exigir mas também de participar na construção de uma sociedade melhor. Enquanto mandarmos lixo para o chão porque alguém vai limpar… Enquanto pensarmos que podemos fazer fogo, porque existem os bombeiros se algo correr mal. Enquanto pensarmos que o governo dá tudo, e nada precisamos de fazer social e civicamente, a tendência será para as condições piorarem e os acontecimentos trágicos acontecerem. Nos últimos anos, temos tido eventos económicos, sociais, ambientais e mesmo humanos com gravidade. É preciso reagir, fazer com que depois da "tempestade", chegue a tão desejada "bonança".
Sara André