Violante Saramago Matos Basta que aconteça qualquer coisa imprevista e de imediato surgem disparates de tal calibre que seriam seguramente ridículos, se não fossem atirados com o objectivo único de confundir e lançar dúvidas. Não interessa o que sai pela boca fora desde que, acima de tudo, seja para safar responsabilidades. Dizer que a palmeira, no Porto Santo, não caiu para o lado em que estava inclinada não é um engano - é uma mentira, é a primeira coisa que vem à cabeça para fazer de Pilatos e lavar as mãos. Afirmar que cair uma palmeira no meio de um comício é muito estranho, não é estranheza nenhuma - é uma frase 'inocente' que semeia a dúvida sobre as causas do acidente. E não faltará quem se encarregue de 'deixar cair' nomes de pretensos suspeitos. Como se tudo isto já não fosse demasiado mau (e espero que se apurem mesmo responsabilidades e não se repita, aqui, o que aconteceu com o desabamento do muro da Estação da Meia Serra sobre o Ribeiro Serrão em que o culpado foi o 'trolha') ainda acrescem as declarações de que a situação vivida traz grandes transtornos ao Porto Santo. Ao Porto Santo? Numa situação destas a preocupação é o Porto Santo? Entretanto, 10% da área da Madeira já ardeu. As razões serão seguramente diversas mas que há trabalho a fazer para proteger esse bem de importância incalculável (no que respeita à biodiversidade, ao clima, à fixação dos solos, à infiltração de água, à prevenção no deslizamento de massas rochosas, à protecção dos terrenos a jusante) que é a floresta, há e há muito. Em Março de 2006 foi proposto na Assembleia que a Madeira aproveitasse um programa comunitário - o Forest Focus - para apostar em transformar a Região numa região-piloto em termos de eficácia no que respeita ao conhecimento, acompanhamento, ordenamento e salvaguarda das florestas insulares, bem como na prevenção de riscos e impactos negativos. Tanto mais que a nossa Floresta Laurissilva é Património Mundial Natural desde 1999. Claro está que a proposta foi chumbada, com o ilustre deputado do PSD encarregue de dizer qualquer coisinha sobre a matéria a afirmar que não era preciso. O povo superior, auto-suficiente e suficientemente iluminado, tinha solução e resposta para tudo. Vê-se! Como certo teremos que sempre que qualquer acontecimento saia do controlo do PSD (e temo que por causa de erros acumulados, possa haver mais colapsos à vista), mais se atiçará a linguagem desbragada do insulto sobre os 'inimigos da Madeira'. Tudo isto é demasiado mesquinho e ninguém se deve intimidar. Até porque quem verdadeiramente se anda a comportar mal é quem não ouve avisos, quem se obstina em projectos e soluções de risco, quem não admite outra opinião senão a sua, quem julga que sabe tudo, quem quer porque quer. Nada disto tem a ver com política. E a solução não está em rezas nem bruxarias.