Fátima Rocha Na sequência do meu pensamento sobre a responsabilidade dos incêndios e sobre aquilo que todos, e cada um de nós, tem poder absoluto para fazer , sigo com o com o meu raciocínio. Para começar, se fossemos um país de responsáveis, todos se mobilizariam numa "militância" anti-incêndio, banindo da sua própria vida, completamente, todo e qualquer comportamento que representasse um risco: foguetes, queimadas, fogueiras para churrasco, beatas de cigarro no chão, garrafas atiradas para o mato, etc. Depois, utilizariam o seu dote nato para a coscuvilhice, "presenciando" discretamente e identificando potenciais maníacos incendiários ou cidadãos inconscientes e irresponsáveis, interferindo mesmo, sempre que necessário. Todos têm o dever moral de denunciar (nem que seja anonimamente, já que a protecção de testemunhas me parece muito falha) suspeitos deste tipo de crime, cujo efeito nefasto atinge absolutamente todos. Convém lembrar que as tão tristemente célebres dioxinas, substâncias químicas tão faladas aquando da discussão da queima de resíduos perigosos em cimenteiras, são produzidas também pelos incêndios florestais. São químicos altamente tóxicos que, comprovadamente, entre várias outras doenças, provocam cancro (em especial da mama e fígado) e más formações em fetos. Encontram-se nas cinzas e materiais queimados e semi-queimados, contaminando o solo, a água e o ar. A partir daí, são absorvidos pelos organismos vivos e chegam ao ser humano no leite, ovos, carne, peixe e alimentos vegetais. Assim, perante a enorme gravidade dum crime como o de ateamento de fogos florestais, a justiça deveria ser competente e eficaz. Começando por uma legislação adequada e desencorajante para os criminosos, deveria investir-se numa maior dedicação à identificação, captura e punição dos criminosos, assim como deviam prever-se medidas que minimizassem a hipótese de reincidência. Uma medida bastante viável seria a proibição dos piromaníacos se aproximarem a menos de 100 m de espaços florestais ou de mato em determinadas épocas do ano e para isso seriam obrigados a submeter-se à colocação de pulseira electrónica. Para complementar, estariam automaticamente mobilizados para todos os combates a fogos florestais, lado a lado com os bombeiros. Estas medidas funcionariam vitaliciamente ou enquanto tivessem mobilidade que o permitisse Mas claro, tudo que acabei de descrever é completamente utópico. Primeiro porque não somos um país de responsáveis; e depois porque perder-se-ia muito tempo a lutar contra a indignação da gentalha, que não faltaria a defender "heroicamente" os Direitos Humanos dos incendiários, tão "barbaramente" atropelados pelas medidas preventivas. E rezemos todos para que o próximo Inverno seja muito, muito suave.