Nem no Verão as notícias deixam de preocupar os portugueses, infelizmente somos diariamente confrontados com notícias pessimistas que prejudicam a confiança necessária à recuperação económica do nosso País, com consequências inevitáveis para a nossa Região. Como é o caso do anúncio da Moody's que se mostra pessimista quanto à evolução do défice orçamental de Portugal, afirmando que a sua redução ficará aquém dos objectivos definidos pelo Governo, atingindo em 2010 os 7,5% e para 2011 os 6,8%. E aconselhando que a solução passa por "cortes na despesa que têm mais probabilidades de gerar uma melhoria duradoura nas contas públicas e uma melhor performance económica do que uma consolidação maioritariamente focada nos aumentos de impostos". Como sabemos a 1ª opção do Governo da República foi a de aumentar os impostos e de reduzir os apoios sociais, recusando-se a reduzir a despesa inútil e não produtiva. Conforme comprova o Boletim de Execução Orçamental de Julho que revela que houve um aumento de 5,7% na despesa pública, ficando muito longe do previsto no PEC. Destacando-se pela negativa um aumento de 3,9% das despesas com pessoal num ano em que os salários e as admissões na função pública foram congelados. A somar a toda esta desorientação das contas públicas, temos que acrescentar a triste notícia sobre a dívida pública portuguesa, com o seguinte destaque: "Risco mais elevado só no Vietname". Portugal encontra-se no 2º lugar das economias cujo valor dos chamados Credit Default Swaps mais subiu nos últimos tempos, sendo apenas superado pelo Vietname. Esta notícia é tanto surpreendente como lamentável, pois alguém imaginaria que um dia estaríamos ao nível de um país terceiro mundista, atravessando as mesmas dificuldades de financiamento para o Estado e para a Banca, com consequências directas para as famílias e as empresas. Esta é a verdadeira realidade do Verão de 2010, que rapidamente é negada pelo Primeiro-Ministro que prefere afirmar que "hoje temos melhores condições para sermos mais confiantes e para encararmos com mais confiança o futuro". É neste cenário surreal que o PS pretende que o PSD viabilize a qualquer custo o OE para 2011, negligenciando o acordo que fez no que diz respeito à redução da despesa e ao investimento público selectivo e produtivo. O PSD tudo fará para manter o seu compromisso com os portugueses e não com o PS, evitando a todo o custo o aumento de impostos, que oneram e asfixiam as famílias e as empresas portuguesas. Mas aqui na Madeira ainda subsistem alguns membros da nossa oposição que se esforçam pela negação desta realidade nacional, resumindo as suas afirmações às opções do Governo Regional como causa exclusiva, o que é verdadeiramente revelador do ridículo do seu discurso. Ignorando o impacto que estas notícias do País têm na nossa recuperação social e económica, a par dos acontecimentos imprevisíveis que nos afectaram este ano, com realce negativo para o Verão de 2010 que nos devorou as nossas belas serras e o património mais valioso, a nossa natureza. Onde assistimos a fortes incêndios que fustigaram a Madeira, um desastre anunciado como bem mais grave, em termos ecológicos, que o temporal de 20 de Fevereiro. Destruindo um valioso trabalho, de mais de 12 anos, de ordenamento e de reflorestação das nossas serras da responsabilidade do Governo Regional e dos Municípios, lamentavelmente aproveitado pela oposição para atacar, com a já conhecida estratégia necrófaga, cujo objectivo principal é de alimentarem-se da desgraça alheia. Negligenciando o excelente trabalho que estava a ser realizado pelas entidades públicas e privadas, como tive a oportunidade de constatar com diversas visitas parlamentares. Pelos vistos em 2010 teremos uma Madeira marcada pelos trágicos acontecimentos, mas com a nossa determinação seremos capazes de os ultrapassar e de nos tornarmos ainda mais fortes.
Jaime Filipe Ramos