Nélio Teixeira Vou quebrar a promessa que mantinha para comigo mesmo, de não escrever mais para esta secção em virtude de não poder fazer nada que possa alterar o Sistema, mas por forças maiores não consigo controlar esta ânsia e acabei por ceder, para comentar esta semana negra e mais principalmente a noite da última sexta-feira 13 que não foi uma noite negra devido á luminosidade e claridade das chamas que teimavam em queimar e destruir tudo o que encontravam pela frente. Os gritos ecoavam de todos os lados, gerava-se o pânico, o medo e a ansiedade quando as labaredas gigantes de um fogo destruidor se aproximavam das habitações. Foi uma luta travada por uma centena de residentes no Rochão, Vila da Camacha, pelos Bombeiros para lá destacados e não sei como mas também por uma Equipa da BIR que na hora do aperto não se preocupou em molhar ou sujar os uniformes e carregaram no fogo com os baldes de água e todas as forças possíveis. Foram estes que igual a muitos outros em outros sítios idênticos protegeram as casas e lutaram quase até á exaustão, mas, em geral, vencemos. Que se trata de fogo posto já todos o sabemos mas o problema aqui é que nesta Vila, o Governo inaugurou estradas e mais estradas e levou água a muitas casas mas fracassou nas Bocas-de-incêndio. São muito escassas e as poucas que existem estão secas como o deserto de judas. Poderíamos ter dado outro tipo de resposta a este fogo devorador que matou animais, destruiu casas e carros e deixou centenas ou milhares de pessoas uma noite inteira a se debater para salvar as suas casas e os seus bens, se tivéssemos mais meios materiais e a tão desejada água. (...) É de lamentar que a nossa Ilha da Madeira, que tem uma riqueza única de Laurisslva, não tenha pelo menos um helicóptero durante os seis meses mais quentes para protegê-la destes actos criminosos. Os apoios para o futebol são aos milhões, um novo estádio está a se erguer embora tenho muita pena que toda aquela água que meteram na estreia, não tenha sido suficiente para apagar o maldito incêndio que ainda anda á solta lá pelas nossas serras. Agora a palavra de ordem é a Reflorestação e será esta uma desculpa para esquecer ainda mais aqueles que sofreram as consequências do temporal e que depositaram neste governo um Voto de confiança? E já agora, para quando o novo Hospital? Quando as árvores crescerem? Sei que é feio criticar em vez de arranjar soluções mas não está nas minhas mãos o poder de remediar todas estas desgraças e sem querer ser mais destrutivo, deixo uma sugestão: seria bom eliminar todas as árvores a menos de 50 metros de distância das habitações concedendo para tal licenças para todos aqueles que manifestem esse desejo a fim de num futuro evitar desgraças iguais.