Fernanda Ramos Pereira Tenho a impressão que a ilha em que vivemos, a Madeira, a que muitos chamam "o cantinho do céu", está sendo sacudida por alguns acontecimentos que nos deixam assustados. Primeiro foram as fortes chuvadas que nos fizeram viver num castelo assombrado pelo medo. Agora são os incêndios que voltaram a cobrir a ilha com um manto cinzento, que roubou à Natureza a cor da harmonia - o verde. De facto, o cinzento é uma cor que em vez de transmitir paz e tranquilidade, embala-nos na tristeza e no desânimo. Faz-nos sentir vazios e impotentes. Não sei, mas parece que alguma coisa nos quer tocar. Acredito que todos os acontecimentos escondem uma mensagem, que nem todos aceitam, principalmente os que vêem o mundo apenas com os olhos físicos. É como se precisássemos de uma lição severa, que chamasse a nossa atenção de algum modo, para nos fazer parar, pensar e tomar providências. É preciso que algo realmente trágico aconteça para que possamos mudar. A sensação que tenho é que estas terríveis tragédias vêm-nos mostrar a falta de sensibilidade e de respeito com que lidamos com o que mais valioso possuímos - a Natureza. A verdade é que ela é o nosso maior tesouro e o que nos faz sentir como se estivéssemos num cantinho do céu. É pena que todos nós que aqui vivemos não estejamos a cuidar com verdadeiro amor este tesouro, de tal modo, que aos poucos ele esteja a perder a sua beleza. Os nossos comportamentos egoístas comprovam esta realidade, quando apenas nos preocupamos em ter as nossas casas limpas e da porta para fora não interessa onde caia o lixo; quando na nossa casa de campo comemos e bebemos e depois as garrafas são atiradas pela ribanceira abaixo; quando deitámos pesticidas para matar as ervas dos cantos das veredas e caminhos em vez de mondarmos e plantarmos flores; quando cuspimos para o chão da rua; quando construímos desajustadamente (...)