António Ferreira Escrever é um acto que exige algum cuidado e atenção, enquanto as palavras proferidas de boca podem dissolver-se permanente no ar, a palavra escrita é perene. Lembro-me de ler uma entrevista do deputado Bernardino Soares (PCP) para o DN e este reproduzir autênticas pérolas, tais como Cuba e Coreia do Norte são verdadeiras e revigorantes democracias ou que Fidel é um verdadeiro amigo do povo, e no final da entrevista surgir uma nota em que o deputado alertou os jornalistas para a dita entrevista não ser publicada, alegadamente por não ter focado aspectos essenciais. Compreende-se. Eu acredito que há sociais-democratas madeirenses que acreditam que o PSD-M e o seu líder contribuíram de forma definitiva para o desenvolvimento da Madeira e até certo ponto não discordo desta posição, e não quero aqui confundir as colunas de opinião (políticas) do "nosso" JM com as opiniões das massas sociais-democratas. Mas há limites para tudo. As colunas de opinião (políticas) do JM são de um exagero de tal ordem que creio serem uma ofensa a qualquer social-democrata. Abundam nestes textos tanta barbaridade, vulgaridade e ignorância que devemos estar cientes que aquilo - não consigo definir de outra forma - prejudica a Madeira. O "nosso" JM como é sobejamente conhecido vale milhões, defende o regime, e é intransigente com os "inimigos" da Madeira, ou seja, qualquer indivíduo ou entidade que se manifeste politicamente contra o poder vigente. Mas em todo o caso, os madeirenses merecem melhor do que aquilo. O JM poderia perfeitamente ser um jornal do regime e ter alguma qualidade e brio. Não tem. Podia perfeitamente ser um jornal com tendências sociais-democratas mas oferecer, pelo menos, direito de resposta. Não dá. Poderia ser uma referência noutras áreas: literatura, política internacional e nacional, economia, sociedade ou ciência, etc. Não é. Poderia aqui culpar os senhores do regime por aquele mastodonte jornalístico que é o "nosso" JM, mas confesso que acho que a culpa não é só deles. A culpa reside também na terrível complacência e respeitinho de uma sociedade civil que com muita facilidade se verga ao poder instalado. Como diria nosso ilustre conterrâneo: «Assim não vamos lá!».