Albertina Rodrigues Nos dias que correm, è frequente vermos grupos de pessoas, partidos de várias cores ou individualmente contestarem por tudo e por nada: porque a casa ficou mais alta ou mais baixa, a esquina da rua está mais larga ou mais estreita, há mais uns grãos de areia aqui uns ramos acolá, mas nunca vi uma vivalma abrir a boca em grupos ou reuniões à beira mar ou numa rua qualquer, contestar mas a sério, sobre o peso que as crianças carregam nas mochilas desde muito pequenas até jovens feitos, na frequência às aulas. Parece-me que muitos pais ou educadores estão preocupados com as marcas ou modas do que com o peso que os seus educandos carregam diariamente. Alguns deles já se queixam de dores nas costas - e não é para menos - outros não. Há adolescentes que para se fazer valentes até dizem que é "fixe" mas a questão que se coloca é: e no futuro? Como estará a coluna das crianças de hoje e adultos de amanhã? Serão aqueles que assim decidiram estes exageros a pagar as despesas dos tratamentos e a suportar as dores dessas pessoas? Ou teremos no futuro costas deformadas com todo o mal que isso acarreta? Há tempos vejo entrar no seu consultório um jovem médico de mochila às costas trazendo a sua filha pela mão que regressava da escola. Quando trocávamos impressões sobre o assunto diz o referido médico entregando - me a referida mochila que a filha deveria carregar: "veja o peso disto. Este peso rebenta a coluna das crianças!" Esta pequenita tem o pai que pode e quer ajudá-la. E as outras? O tempo dirá…