António Ribeiro Marques da Silva No dia 22 de Agosto resolvi "libertar-me" de algumas peças de material informático estragado ou desactualizado, transportando-o para o ecoponto da Rua de S.José, perto da minha casa. Aí as coloquei cuidadosamente, com pequenas notas quanto aos aparelhos ainda em funcionamento que pudessem eventualmente ser de utilidade para quem os quisesse aproveitar. Fi-lo por várias razões : em tempos servi-me da "Worten" para entrega de material desactualizado, mas em informação posterior foi-me negada essa entrega e sugerido outro local que já nem recordo; igualmente os meus aliás amáveis fornecedores da "Informania" também me informaram que não acolhiam material. Hoje, dia 23, ao ir à caixa do correio pelo meu "DN", deparo com uma carta, relevante pela qualidade da escrita e acentuada polidez, em que uma testemunha da minha "leviandade" ecológica me censura por esta acção que contrasta com a minha atitude de defensor da ecologia. Não pude deixar de concordar e, a uma hora bem matutina, estava eu, junto ao ecoponto para recolher o que aí deixara. Infelizmente já tudo tinha sido levantado. Lembrei-me então que várias vezes me servira da Câmara para o depósito de "lixo verde", tendo telefonado para os serviços de Ambiente e obtido a informação de que a Câmara também recebia aparelhos eléctricos inutilizados ou desactualizados. Embora lamentando que a testemunha que me censurou não tivesse assinado a sua carta, não posso deixar de escrever esta embaraçosa "carta de leitor" em nome da honestidade intelectual e coerência que julgo terem sempre regido o meu comportamento. Sirva-nos todavia este incidente para reafirmar, junto aos restantes leitores, que existe um posto de recepção destes lixos na Câmara, no sítio dos Viveiros, perto dos Horários do Funchal. E fica a constatação esperançosa do alargamento de uma consciência ambiental : o facto de um cidadão escrever a um outro por motivo de uma infracção ecológica deve ser registado como muito positivo.