Domingo à noite no Porto Santo, o cenário de festa no Largo das Palmeiras deu lugar a uma tragédia que vitimou uma senhora e hospitalizou outras duas pessoas, infelizmente ainda em situação clínica muito delicada. Nesta hora de dor, impõe-se uma palavra de conforto às famílias atingidas directamente e a todas as outras pessoas que ainda sofrem com o susto. Todos os responsáveis no Porto Santo conheciam, de forma aprofundada ou não, a periclitante situação da palmeira que viria a tombar na pior altura possível, simplesmente porque a praça estava repleta de pessoas. A fatalidade estava anunciada. Os reparos foram mais do que muitos, um dos quais assumiu forma de notícia neste jornal, a 10 de Julho passado. Há um mês e dez dias, portanto. É um erro atribuir à Natureza todos os actos de negligência, imprudências e erros humanos. Há responsabilidades públicas a assumir. E não deveria ser necessário esperar pelos tribunais, que a seu tempo julgarão o que houver a julgar. Ninguém ousará imaginar que alguém quisesse ver o desfecho ocorrido. Mas a verdade é que a fatalidade e a culpa não podem ser, outra vez, do tempo. A propensão para a prevenção da demagogia nos órgãos de Comunicação Social deveria ser melhor rentabilizada em acções concretas no exercício da governação. Instituir que ninguém se demite, nem ninguém é demitido, aconteça o que acontecer, não será a melhor forma de credibilizar o exercício das responsabilidades públicas.