Oito milhões e meio de euros dariam para mais de 50 casas para os desalojados de 20 de Fevereiro ou dois anos de Jornal da Madeira, reconstrução de todos os nossos complexos balneares ou pagamento do buraco do IDRAM nas viagens dos atletas. Essa verba dava para pagar a manutenção da casa de férias e as férias dos inquilinos do Governo Regional no Porto Santo durante toda a sua vida política (excepto a de Jardim e do séquito do "polvo") ou a reflorestação de um ano que Rocha da Silva preconiza para as nossas serras. Dava ainda para pagar meios de combate a incêndios e a repor alguns subsídios que foram retirados aos bombeiros, ficando alguns euros para contemplar expropriações e limpezas de matas. Poderia servir para reparar a lagoa do Palheiro Ferreiro ou para que as Câmaras pagassem ao IGA. Mas não era a mesma coisa. A vontade de Jesus foi soberana e o Benfica comprou "aquele" guarda-redes que já deu seis pontos de avanço à concorrência. Obrigado ao Benfica pelas casas que ofereceu à Madeira, mas poderiam ter ido mais além, agarrar no Moreira ou no Quim e aqueles oito milhões e meio teriam dado um jeitinho… Numa semana em que se falou de polícias e padres enquanto as serras ardiam sem que os vigilantes da Natureza estivessem nas torres a desempenhar a sua função, sempre quero ver como é que fazem com os fachos de Machico. Será que pediram autorização para riscar o fósforo? Ainda há oito dias, depois de mais um porco na roda no Porto Moniz onde, mesmo proibidos, rebentaram foguetes até dizer chega, descia a Serra de Água em festa, com lume na encosta da esquerda e fagulhas a voar dos braseiros para espetada à direita da estrada, pois o vento estava muito forte. Por acaso não vi nenhum polícia, mas também reconheço não ter visto nenhum membro do clero. Daí não ter havido confusão. Ou será que o Bispo agora vai mandar o cónego ainda para mais longe do que a Ribeira Seca? Só se for para o Porto Moniz, onde ainda há freguesias que não são de uma cor que a gente sabe… A Sata e o Governo chegaram a acordo para mais uns meses a arder dinheirinho do contribuinte. Se o barco não "pernoita" no Porto Santo, é claro que não serve os portosantenses. Se o avião reduz as viagens, vamos chegar ao tempo do Devoto e do Maria Cristina ou vamos pedir boleias aos lordes que têm aquelas lanchas rápidas. Se não se vende sol e praia para a ilha dourada, com aquela água magnífica e aquele areal estupendo, vamos vender o quê? Uvas durante um mês e melancias e melões durante dois? O Festival Colombo e o S. João? Bares na vila só até à meia-noite e comas alcoólicos no Penedo para menores de 16 anos? Ou ficamos pela poncha da vila (cidade) atrás do que era o mercado? Por mim, ficava só pela lambeca… A gare do porto ficou pronta, mas as obras e o trânsito proibido continuam. Quando vem o Lobo Marinho, é maior a confusão do que há um ano, pois fecharam acessos e lugares para estacionar. A grande praça do porto norte continua a poluir visualmente e sem conclusão à vista. O depósito de entulho junto à Avenida do Mar passou a projecto estratégico, como se fosse estratégia esperar todo aquele material da enxurrada. Estamos a pouco mais de um mês de Outubro e o mar vai dizer qualquer coisa. Se o Rali vai ter parque de assistências mais perto ou se o projecto vai, literalmente, por água abaixo.

Paulo Gomes