José Luís Agrela O título pode ser antagónico, eu sei, mas tem uma razão de ser. Em primeiro lugar, quero agradecer à direcção do C. D. Nacional, pelo seu gesto em oferecer-me um ingresso. Pedi informação sobre a venda de bilhetes e como seria com os deficientes, pois sou paraplégico, e prontamente foi-me facultado um ingresso. Quero agradecer o gesto. Por outro lado, ainda bem que o fizeram. É que segundo sei, o C. D. Nacional tem um protocolo com a Associação Portuguesa de Deficientes e no qual são disponibilizados um certo número de bilhetes (não sei ao certo quantos são) por jogo para os seus associados. Acontece que contactei um membro da dita Associação para saber se haveria possibilidade de eu ter um bilhete proveniente desse protocolo. A resposta que foi dada, é que os associados com as quotas em dia têm prioridade. Até concordo, pois faço "mea culpa" porque não tenho as quotas em dia… mas porque não quero ter. Mas o problema não está aí, como ontem (e já na época passada também) constatei. Eu reparei que os deficientes provenientes da Associação eram apenas três. Não acredito que o protocolo sejam só três bilhetes… e nas últimas duas vezes que me desloquei à Choupana, descobri o que é feito aos restantes bilhetes do protocolo. Na vez anterior que estive naquele estádio, precisei que um meu primo viesse à entrada mostrar o bilhete, pois não tinha bilhete do dito protocolo. Mas a minha mãe, que acabou por ficar na rua, descobriu que os senhores da A.P.D. tinham bilhetes de sobra que até os vendiam, tipo "candonga". Nessa altura, calei a boca por respeito à Associação Portuguesa de Deficientes. Agora não posso continuar calado, pois para este Nacional/Benfica, disseram-me que os deficientes com as quotas em dia tinham prioridade, mas foram apenas três deficientes. Os restantes bilhetes, como já conheciam a minha mãe e sabem que ela não se cala perante coisas assim, fizeram-na mais discreta. Distribuíram os três bilhetes pelos três deficientes e os restantes foram passados para outra pessoa dita "normal" (também de normal não deve ter muito) num envelope que certamente ia encarregar-se de dar aos "amiguinhos", ou mesmo, vendê-los. Só apelo à direcção do C.D. Nacional que fiscalize este protocolo. Anda muito boa gente a ver futebol em nome dos deficientes… e não o são, pelo menos fisicamente. E ainda acabei por levar com um dos beneficiados dos bilhetes do protocolo a fumar para cima de mim! Aí descobri, afinal este também é deficiente… MENTAL!