Manuel João Baptista Rosa Quem pretende fazer turismo tende a averiguar, previamente, os atributos do destino turístico. Esta é uma verdade cada vez mais óbvia nos turistas regulares e exigentes em termos de qualidade. A Madeira tem atributos naturais distintos como o clima, o mar e a montanha, mas tem outros que não estão devidamente acautelados e que só melhoram se houver trabalho continuado e exigente por parte das entidades competentes. De entre estes atributos sobressai a insegurança, quer a que resulta de comportamentos anormais, com origem na exclusão social (assaltos), quer a que resulta da utilização de equipamentos inadequados (levadas). A segurança está no topo da escolha de qualquer destino pelo que não pode haver falhas, sob pena de se colocar em causa, de forma irreversível, a sua atractividade. Depois, há ainda outros atributos, não menos importantes, para um turismo que se pretende de qualidade e que precisam de solução urgente: é o tratamento desumano dos marginais, toxicodependentes e os sem-abrigo, cujas cenas em pleno centro do Funchal, põem a nu uma sociedade cada vez mais injusta e com uma cultura solidária imprópria de um destino de qualidade; é o tratamento desumano dos animais, sendo que é das queixas mais frequentes dos turistas, que não suportam o sofrimento destes seres vivos, os quais deveriam merecer mais respeito; é o ruído, essa praga que o turista repudia de forma enérgica na sua terra, e que aqui é o pão-nosso de cada dia; é o fumo dos automóveis numa cidade superlotada com estes equipamentos; é o caos urbanístico, desenfreado, que tem prejudicado a paisagem; é a gastronomia local completamente desrespeitada (caso do bolo-do-caco) e, por último, o desaparecimento total de uma das atracções mais marcantes do nosso destino, até ao 25 de Abril, e que foi a existência de flores e de bucho nas bermas das estradas. Não é com festas pontuais que se atraem turistas todo o ano, algumas das quais com efeitos nocivos para o turismo, como é o caso do rally, segundo especialistas na área. O mais incrível é que estes aspectos negativos até são de fácil solução pois implicam pouca despesa quando comparada com outras realizações destinadas a melhorar a atractividade turística. Assim haja consciência dos seus malefícios e vontade política, pois o produto turístico é um todo, em que nenhum dos seus atributos pode ser descurado, sob pena de se prejudicar todos os outros. A ideia de que o turista de qualidade é o que tem dinheiro está ultrapassada. O turista actual, de qualidade, é culto, avalia todos os aspectos do destino e quer saber do modo de vida das populações. Portanto, uma política cada vez mais solidária e respeitadora do ambiente é o caminho certo para um destino turístico sustentável e de qualidade.