H. X. Foi com grande estupefacção e revolta que li uma carta do sr. José A. P. Santos , intitulada de "Bestial a Besta", sobre a obra de construção do novo Savoy. (...) Com a dor dos outros bem posso eu! Agora quem está metido neste inferno, que viu os seus inquilinos desaparecem porque causa do barulho e do pó, que tem o seu restaurante vazio às moscas, porque ninguém está para comer no meio de camiões carregados de entulhos e poeiras, no meio de um estaleiro gigante, e que depois tem os juros para pagar ao banco, os empregados com família sem receber salários, com a segurança social e as finanças à perna, não vai certamente sonhar com bosques ou flores, mas sim sonhar com tribunais e advogados, e exigir as legais indemnizações a que têm direito e que a lei prevê para estes casos. Quem se mete numa obra deste tamanho, também sabe certamente que vai ter que pagar os prejuízos que causou. Ou espera o sr. Berardo & Companhia que os comerciantes daquela zona também lhe vão entregar cestinhos com bolinhos, levados graciosamente em mãos por ninfas dos bosques?