O governo da província sul-africana de Gauteng confirmou hoje que seis pacientes, entre os quais duas crianças, morreram no hospital por falta de assistência em resultado da greve da função pública que hoje entrou no seu segundo dia. A ministra provincial da Saúde, Qedani Mahlangu, que tem estado no hospital de Natalspruit, a leste de Joanesburgo, a ajudar nas tarefas médicas e de enfermagem, descreveu a situação como "um desastre", acrescentando que naquele estabelecimento hospitalar 23 bebés ficaram durante grande parte do dia de quarta-feira apenas entregues aos cuidados de seguranças. A ministra revelou que na quarta-feira muitos dos pacientes não foram alimentados nem lavados e que o exército deverá começar a enviar efectivos dos seus quadros clínicos ainda hoje para atenuar as carências existentes. No exterior daquele hospital, à semelhança do que acontece em vários outros de Gauteng e outras províncias, piquetes de greve impedem os enfermeiros, médicos e quadros auxiliares que pretendem trabalhar de entrar nas instalações, utilizando por vezes a violência física, acusaram as autoridades. Apenas dois clínicos e 11 enfermeiras estiveram ao serviço numa unidade com cerca de 500 pacientes. Entretanto vários grevistas ficaram feridos no exterior dos hospitais de Chris Hanni Baragwannath, no Soweto, e Helen Joseph, em Joanesburgo, em resultado de balas de borracha disparadas pela polícia quando os piquetes de greve agrediram ou ameaçaram fisicamente trabalhadores que não aderiram à greve, decretada por tempo indeterminado. As autoridades recorreram também a canhões de água para dispersarem grevistas que bloqueavam instalações públicas e auto-estradas em várias partes do país. Uma das principais auto-estradas de cintura de Joanesburgo, a M1, foi bloqueada por grevistas, o que provocou graves congestionamentos de trânsito ao princípio da tarde. O governo anunciou que vai promulgar aumentos salariais de sete por cento e pôr termo às negociações com os sindicatos, que exigem 8,6 por cento de aumento e melhorias substanciais dos subsídios de habitação e seguros de saúde.
Seis mortes na África do Sul na sequência da greve da função pública




