Maria Raquel Oliveira Barcelos Este poderia ser o titulo de um livro ou de uma canção. Mas desta vez não é. Nunca me pensei de assistir a tamanho inferno, tamanha tristeza. Mas vi e ouvi . Eu ,o meu marido e o nosso filho fazíamos parte dos campistas que foram evacuados do Montado do Pereiro na sexta-feira, 13 . Não sou supersticiosa nem nada que se pareça , mas esta sexta-feira 13, ficará na memória como um dia de maldição. Maldição ou mesmo horror pela devastação das serras, do manto verde que me habituei a ver desde sempre e que agora se tornaram em cinza, uma imagem desoladora. Em poucos minutos, aquele maldito fogo que tínhamos visto a muitos quilómetros de distancia tornava-se cada vez mais feroz e mais rápido. Cada vez mais ouvíamos o grito agonizante das árvores que majestosamente morriam de pé. Poucos metros abaixo do nosso sitio de acampamento , havia um grupo de aproximadamente 90 pessoas, acantonado. Ora bem, fazendo as contas éramos cerca de 100 campistas. O mais impressionante disto tudo foi quando os responsáveis desse grupo chegaram ao nosso pé a dizer que após imenso tempo a tentar contactar os serviços de protecção civil, finalmente alguém aconselhou que era mais seguro abandonar o local , apenas por prevenção. Pouco passava das 20.30h. O mais caricato da história? Quando pelas 21.00 chegou lá um jipe da protecção civil, a admiração dos seus dois ocupantes ao ver que havia imensa gente lá em cima para ser evacuada. Parece que ninguém sabia de nós. Como é possível que não haja uma lista ou um apontamento qualquer sobre o numero de campistas que frequentam um lugar tão procurado. Para lá montar uma tenda é necessário pedir uma licença. Algo não está a funcionar bem. (...)