Desde sempre que o lado emocional nas empresas existiu, mas hoje esse aspecto é valorizado, melhor dizendo é fundamental na produtividade. A crise determinará ou não a adequação aos mercados por parte dos Clubes Desportivos nomeadamente os de futebol? Definir claramente os objectivos da empresa, a par da focalização do produto que é necessário comercializar, é fundamental. Restringir o papel das empresas às receitas, é não entender os negócios deste século. O confronto entre a diversificação dos produtos, ficou a perder com a diversificação dos mercados a par da grande especialização da produção. Nestas empresas emocionais, os clubes desportivos, são o paradigma de um negócio altamente específico e complexo, em que a gestão evoluiu a uma grande velocidade, mercê da assunção dos meios áudio visuais como veículo privilegiado. Cabe aos clubes preparar, desenvolver e empacotar este produto para ser divulgado e vendido pelas cadeias televisivas. O desafio é entender qual é o papel dos clubes, e se pode ser diversificado, vendável e portanto comerciável, através das grandes prestações desportivas. A excelência desportiva expressa-se na sua estética, no seu nível técnico e na sua eficácia e por sua vez determina a qualidade e a grandeza do espectáculo desportivo. A globalização desde há muito no futebol, tem sido mesmo, um palco de ensaios constantes, onde a mercadoria que é transaccionável, acaba quando se esgota a capacidade de rentabilização. Longe vão os tempos do amor à camisola, pois hoje os atletas são muito mais do que jogadores de futebol, eles fazem parte da própria mercadoria. Mas o produto desportivo, não passa somente pelo espectáculo desportivo, existindo, "escolas", "universidades"e mesmo verdadeiras "instituições de formação profissional", que cabem também neste processo de desenvolvimento de futebol. Será que os nossos clubes de futebol, já se dimensionaram e têm um plano estratégico para a batalha do mercado que será mais dura e precipitada pela crise, ou vão esperar passivamente por esse tempo de clarificação forçada do seu "core business", como é bonito dizer. È bom que se entenda que o sucesso e o fracasso não é o momento, mas sim, todo um processo que nos conduz a um estado de preparação e adequação das nossas competências às circunstâncias. A Madeira com duas centenas e meia de cidadãos, tem um mercado exíguo, mesmo restrito, pelo que a definição clara e especializada de faixas de mercado a eleger, mais do que fundamental é uma questão de sobrevivência. Este negócio, que se rege pelas leis empresariais e de gestão, tem uma componente afectiva e emocional, que condiciona muitas vezes a própria racionalidade. O desafio que provavelmente os gestores dos clubes têm é se preparar estrategicamente para a sobrevivência, pois cada vez mais deixarão de contar com as subvenções públicas para o desporto profissional, e a sua autonomia será ditada pelas leis de um mercado, global, agressivo e exigente.

Rui Mâncio Caires