João Isaque Ladeira Agora parece que anda aí uma proposta nova para acabar com as reprovações na escola. A ideia portanto, é seguir sempre em frente, mesmo que algum pai, mais escrupuloso, venha dizer que o rapaz não está preparado, que o melhor seria repetir o ano, isso não é aceitável, a lei não permite …, não pode haver repetentes. Às tantas, quem vai ficar à rasca com esta inovação, são os professores …, a julgar pelos projectos de avaliação que estão a ser discutidos, eles é que correm o risco de serem reprovados. Acho justo, inteiramente de acordo …, também nunca percebi porque é que têm que ser sempre os alunos os bombos da festa …, volta e meia, basta as coisas começarem a correr mal, chumbo em cima deles …, coitados, só este ano foram mais de seis mil. De mais a mais, estou convencido que ninguém pode garantir que os maus alunos é que fazem mal à comunidade…, os outros sim, aqueles que nunca perdem o ano, os tais prodígios que são doutores logo que começam a subir a escadaria da Faculdade …, com esses é que o Ministério devia andar preocupado. Esses é que são os tais crânios brilhantes que ocupam tudo o que é lugar de topo, seja nas empresas, na administração pública, ou na política, eles é que estão autorizados a pensar, decidem e mandam publicar …, tudo na máxima perfeição, segundo fontes oficiais. Ocupam-se dos projectos mais arrojados, impõem os objectivos, definem as estratégias, vêm à televisão todos inchados de sapiência, até usam uns óculos pequeninos muito competentes …, e depois, quando a gente vai apurar o resultado desse trabalho todo, basta ver o estado em que puseram o país. Eu cá digo e repito, não acho que sejam os maus alunos, os repetentes, que devem estar no rol das nossas preocupações …, com esses não há crise. E portanto, se o Ministério da Educação entende que essa rapaziada que não tem aproveitamento escolar, não deve ser penalizada por isso, até tem a sua lógica … Só que, em meu entender, houve ainda algum deficit de ousadia na proposta do Ministério, não se atacou o problema com o tal espírito inovador que estas situações requerem …, porque, se quisermos realmente progredir, a sério, nesta matéria, a única via possível é acabar com o Ensino, pura e simplesmente. Por razões de ordem económica, mas …, não só. (...) Os outros, aqueles que são mais ambiciosos, que querem os melhores empregos, as sinecuras, os que se batem pelas Chefias e por boas remunerações …, esses são os militantes, andam nas Jotas, têm Cartão, para esses o Ensino não aquece nem arrefece …, já estão garantidos, à partida. Portanto, isto é como eu digo, o melhor mesmo é acabar com o Ensino, fechar as Escolas …, está visto que ninguém faz vida com isso. Quem disse que somos obrigados a ter Escolas e um sistema de Ensino, só para Inglês ver? Tudo por causa desta nossa mania parola de imitar sempre os outros países …, só porque eles, lá fora, levam o Ensino a sério, têm Escolas exigentes, altamente sofisticadas e famosas no Mundo inteiro, isso não quer dizer que nós, cá dentro, também tenhamos que ter. Digam o que disserem, para mim o Ensino é um desperdício, uma veleidade, não faz parte da nossa cultura …, até há quem diga que o nosso fundador era analfabeto.