Fátima Rocha Todos os dias se assiste a notícias de tragédias por esse mundo fora. Alguns desses acontecimentos são impossíveis de prever, prevenir ou evitar, mas contra alguns deles, muito se pode fazer. Entre as situações, cuja ocorrência pode ser nitidamente minimizada estão os incêndios florestais. Infelizmente, a ignorância popular leva a que seja corrente acreditar-se que o tempo de Leste e as temperaturas altas provocam incêndios. Isto porque as pessoas, no geral, nem se dão ao trabalho de pensar um pouco, nem sequer a comunicação social o faz. Caso contrário não poderiam haver títulos do género "Onda de calor provoca vários incêndios".
Para os materiais florestais pegarem fogo, sem ajuda, têm de atingir a chamada temperatura de ignição, que no caso da madeira seca é de 232°C. Ora, mesmo que a temperatura do ar andasse à volta de 50°C, era impossível folhas, matos ou lenhas, por muito secos que erstivessem, se incendiarem sozinhos, porque estão muito longe dos tais 232°C necessários. Na Madeira, as únicas opções de deflagrações de incêndios de forma natural só podem ser trovoadas. Mas dado que os raios não acontecem com a atmosfera seca, todos os incêndios tem mão humana por detrás, seja por acidente, seja intencional. E é primordial que todos se consciencializem disto: o tempo de calor não pega lume a nada; deixa é tudo bastante seco, o que facilita o trabalho dos criminosos ou dos negligentes. Daí que, embora a limpeza das serras seja importante porque diminui a intensidade da propagação das chamas, não impede ou evita os incêndios. Mas, infelizmente cita-se a "limpeza das serras", como o remédio milagroso. Tendo isto em conta, é mais do que óbvio de que está nas mãos de todos a diminuição ou completo desaparecimento dos incêndios florestais. Infelizmente, neste país de pobres de espírito, em que se vive à base da inveja, da coscuvilhice e do presenciar desgraças, não há a cultura da auto-responsabilização. Um exemplo disso é que nos vários comentários do DN online, em que as pessoas reconhecem que o lançamento de foguetes em épocas de tempo seco é um comportamento de risco, longe de responsabilizarem quem organiza o lançamento desses mesmos foguetes, responsabilizam … o governo. Neste país, a culpa, seja do que for, nunca é do indivíduo. É da sociedade, é do governo, é da conjuntura mundial, é dos traumas de infância, etc. Parece que vivemos num país de inimputáveis, em que são todos débeis mentais inocentes. Assim, não se chega a lugar nenhum, a não ser ao fundo do poço. Depois, e desculpem-me se estou sendo injusta, dá-me a ideia de que não se investe na descoberta dos culpados dos incêndios, com o mesmo "entusiasmo" com que se investe nos casos em que entra dinheiro vivo, como a corrupção no futebol ou actividades menos legais de políticos. Talvez seja porque, paradoxalmente, tudo o que inclui directamente benefícios económicos, indigna mais a opinião pública do que os incêndios ou o abuso de crianças. (...)