O Verão está cada vez mais quente lá pelos lados da Federação Portuguesa de Futebol, que continua suspensa parcialmente da sua utilidade pública e simultaneamente está a submeter o seleccionador nacional a um " rigoroso" inquérito disciplinar pelas "bocas" que enviou ao director do Laboratório de Análise de Dopagem( LAD). O LAD é um dos laboratórios a nível mundial acreditados pela Agência Mundial Antidopagem, que só por si atesta a competência desta instituição nacional e que por força dos resultados desportivos da selecção no Campeonato do Mundo da África do Sul , está neste momento num fogo cruzado com o seleccionador nacional. O " incidente" verificou-se na Covilhã, primeira parte da preparação da selecção nacional mas porquê só recentemente se deu andamento a um processo disciplinar que pode levar ao despedimento do seleccionador nacional? Melhor dizendo, se Portugal tivesse alcançado um dos primeiros quatro lugares do campeonato do mundo, este processo teria sido aberto? Os timings da abertura de "casos" em Portugal têm quase sempre umas coincidências terríveis que levantam sempre, mesmo que não se queira, suspeitas sobre a necessidade de abater ou safar alguém, raramente para fazer justiça nos locais próprios, até porque os media já se encarregaram de condenar publicamente os protagonistas. Quando o tal episódio aconteceu, ligaram logo para Sir Alex Ferguson e pediram-lhe que por amizade ao seu amigo Carlos Queirós , teria um dia de vir a Portugal para atestar a competência deste, porque uns impropérios meio dopados teriam manchado a reputação do Professor. E não é que veio mesmo……… O ridículo de tudo isto, independentemente de quem tem razão, ou isto não passará de mais um pedido de desculpas, é que estamos na preparação do apuramento para Campeonato da Europa de 2012 e sujeitamos um seleccionador a este imbróglio jurídico e de descrédito perante a opinião pública. A FPF tem de dizer claramente se o Prof. Carlos Queirós tem ou não condições para permanecer à frente da selecção nacional e acabar com este chorrilho de fazedores de opinião que tudo falam e nada dizem. Luis Filipe Vieira diz : "Grande injustiça com um homem a quem Portugal deve muito"; Pinto da Costa afirma: "estão a chamuscar a imagem de Queiroz; Alex Ferguson declara: Queiroz é um treinador fantástico, um professor que se dedica a melhorar e a inspirar os jovens a se tornarem melhores jogadores e melhores homens. Queiroz é um senhor. Leonor Pinhão na sua habitual crónica no jornal a "Bola" insinua que Queiroz agrediu um jornalista e insultou um funcionário do Estado em termos de fazer corar as pedras da calçada. Este currículo dá-lhe uma aura de santidade. Enfim, vamos lá esperar pelas conclusões deste caricato processo e esperarmos que as eleições para a nova direcção da FPF tragam a mudança necessária para credibilizar o futebol em Portugal. A época desportiva está a iniciar-se e novamente as competições organizadas pela Federação estão sujeitas a um regulamento de provas ultrapassado, aberrante, injusto e desmotivador para qualquer projecto de investimento que leve ao futebol profissional. Obrigar a que um dos vencedores das zonas Norte, Centro e Sul da 2ª Divisão B tenham de disputar uma poule final, para impedir que um deles suba à 2ª Liga profissional, é pactuar com os interesses instalados no futebol profissional e não premeia nem o mérito nem a regularidade. A 1ª Liga efectua trinta jogos no campeonato, a 2ª Liga também e os vencedores da 2ª B têm de efectuar 34 jogos e um deles fica impedido de ascender ao futebol profissional. Já chega de tanto amadorismo. As equipas das Regiões Autónomas continuam a não ter o subsídio de deslocação quando se deslocam ao território continental, contrariamente ás equipas do continente quando se deslocam às ilhas. Tudo isto sem uma intervenção da FPF em defesa dos seus clubes filiados. Pode ser que a temperatura desça.
Jaime Lucas