Mário Oliveira Depois do que se passou a 20 de Fevereiro, nova desgraça se abate sobre a Madeira. O estado em que as nossas serras estão patenteia, pelo menos uma coisa: falta de previsão. Não tanto pelo que se poderia ter feito em termos de limpeza de coberto vegetal seco e outros procedi-mentos desejáveis, mas pela falta de dotação de meios de combate realmente eficazes. Gastam-se milhões em associações de futebol, mas não se pensa em adquirir unidades aéreas de combate a fogos florestais. Não abundam os lençóis de água doce para abastecimento? Leiam, informem-se. Os "Canadair" conseguem abastecer-se de água salgada, misturando-a com produtos químicos de forma a torná-la utilizável. E não venham dizer que há falta de água salgada... Ora, com meios eficazes, ficam eliminadas as duas razões que originam estes infelizes acontecimentos: se imprevidência, os seus efeitos rapidamente são anulados; se intencionalmente, ninguém se dá sequer ao trabalho de começar a atear fogos se souber que poucas horas depois o seu lindo "trabalhinho" foi todo por água abaixo, literalmente. E já nem me pronuncio sobre o que preconizaria como punição para quem tem esses intentos criminosos. Chamar-me-iam selvagem, pior que o Bin-Laden... É que a nossa ilha tem como uma das principais fontes de rendimento o turismo. Que fica gravemente comprometido com acontecimentos destes. E muitas, muitas das nossas famílias têm como fonte principal meio de subsistência o turismo, que lhes dá o pão de cada dia. Mesmo o mais afastado pastor tem certamente na família gente que depende disso. Desaparecido esse posto de trabalho, vão ter que contribuir directa ou indirectamente para sustentar esses parentes. E com quê? Com betão? Com gado? Que se alimenta de quê? Ninguém chega do estrangeiro aqui para ver betão. Ninguém chega do estrangeiro aqui para frequentar praias de calhau. Quanto todos meterem isso na cabeça, chegarão inevitavelmente á conclusão de que temos, custe o que custar, de preservar uma das pouquíssimas fontes de rendimento que nos resta. Desespera é pensar que nessa altura pode já ser tarde demais...