1. Sobre o futuro do aterro marítimo junto ao cais do Funchal o Governo Regional encomendou estudos técnicos que estão por concluir. Ainda não foram apresentados os resultados de tanto estudo e os incontinentes governantes já despejam projecções, orientações, decisões quanto às múltiplas funções asseguradas para o local. Os estudos estão a ser feitos e os incontinentes já vaticinam que o tal aterro "vai ter jardins e comércio". Santos Costa & C.ª já sabem que haverá o plano de urbanização para o aterro com "uma área recreativa e de lazer com alguns serviços, admitindo a instalação de uma zona de comércio" (DN, 03/08/2010). Os estudos estão a ser realizados mas a Câmara Municipal do Funchal já "está 100% de acordo" com o projecto do Governo (DN, 29/07/2010). 2. Os estudos relativos ao aterro junto ao cais ainda não foram apresentados mas a governação já decidiu instalar um heliporto no local. "A instalação do heliporto no aterro marítimo carece de pareceres entre os quais do INAC (Instituto Nacional de Aviação Civil)" (DN, 03/08/2010), no entanto, o Secretário Regional do Equipamento Social, numa visita que juntou o Vice-Presidente da CMF e responsáveis pela empresa que explora um helicóptero na Região já oficializou que o heliporto será instalado no aterro. 3. "O Secretário Santos Costa diz que o estudo sobre os fundos e as marés ainda estão a decorrer", mas já apontou em visita ao local para a perspectiva de junto ao cais, no aterro, ser construído um porto para os navios de cruzeiro (cf.: DN, 03/08/2010). 4. O Presidente do Governo não fez por menos, abriu o Telejornal (RTP-M, 08/08/2010) com o anúncio de que o "parque de assistências" do Rali será no aterro… 5. Na Madeira são muitos os membros da governação "com estudos". Encomendam estudos, requerem estudos aos estudos, mesmo que, antecipadamente, saibam que de nada servirão… São os "talibãs" da Madeira. 6. Na sequência da catástrofe de 20 de Fevereiro de 2010, está em fase de consolidação uma nova plataforma marítima na baía da cidade do Funchal. Em pleno século XXI, trata-se de uma das mais profundas modificações da configuração da linha de costa na baía da cidade do Funchal. Num tempo em que são, à escala global, recomendadas rigorosas medidas de precaução e de acrescida exigência de responsabilidade da parte da governação em tudo quanto comporte obras de engenharia costeira, surge a publicitada intenção do Governo de garantir uma aplicação funcional à plataforma marítima que altera o perfil da praia na baía do Funchal, intervém como novo factor na gestão das áreas portuárias, terá impactos ambientais e para a segurança da cidade, de pessoas e bens. Era legítimo esperar que a anteceder qualquer projecto relativo à aplicação funcional da plataforma marítima criada na baía da Cidade, fossem apresentadas as conclusões dos estudos solicitados a entidades especialmente conceituadas, de renome internacional, nas áreas dos empreendimentos hidráulico-costeiros para uma análise quanto ao eventual uso daquela plataforma marítima e às possíveis obras marítimas, atendendo a uma gestão integrada e ao desenvolvimento sustentável das zonas costeiras. E deveria ser dever da governação apresentar um plano estratégico capaz de atender ao Plano de Ordenamento da Orla Costeira, que ainda se encontra por aprovar por estar em fase final de reformulação técnica. Desiludam-se os mais optimistas. Nada disto acontecerá. Os "talibãs" da Madeira o que querem são obras, sem olhar a meios…
Edgar Silva