C. A. É este o nosso país, onde nada realmente é, tudo parece ser. A justiça parece ser feita, até envolver certas personalidades e deixar de existir. Processos que duraram anos e custaram sabe-se lá quanto, prestes a tomarem o mesmo rumo que a esperança dos portugueses, o balde do lixo. Gestores, procuradores, juízes, ministros, deputados, esses estão bem, a receberem o que recebem sem o merecerem. São profissões bem pagas, tudo bem, mas façam valer a pena pagar impostos, mostrem resultados positivos, os negativos já estamos fartos! A economia parece melhorar, enquanto não se olha para o desemprego, as falências de pequenas empresas, o aumento do consumo de marcas brancas (não há dinheiro para mais), famílias a passarem fome, universitários a desistirem de estudar, tudo se esquece, para quê? Para melhorarem a frota de carros do Estado. Os pobres coitados não podem sentir os buracos das estradas? Em vez de comprarem carros novos que melhorem as estradas, ao menos todos usam! Voos em primeira classe? Em económica dura o mesmo tempo e a turbulência é igual. Na educação, bom, é inútil referir. Todos nós, ou pelo menos a maioria, sabemos que uma escola precisa de papel. Os alunos que paguem, os pais deles nem sequer pagam impostos para isso. Já é bom fazer testes, então pagar para isso... que maravilha! Isto nem é o mais grave, pagar para tirar fotocópias ainda é tolerável, agora, ter de levar o próprio papel higiénico para a escola, como é que querem criar doutores, professores e engenheiros nestas condições, onde para além de aflitos nas matérias, os alunos se afligem para irem à casa de banho, digam, como? Desculpem, tinha-me esquecido do fim dos chumbos. Bom, os alunos já se podem concentrar nas idas à casa de banho, sem ninguém reprovando teremos tantos licenciados, que muitos deles vão parar lá a limpá-las. É o que temos, que podemos fazer? Tirar curso e emigrar, arranjar cunhas, ou melhor, tirar curso e em seguida as senhas dos centros de desemprego, parece que está na moda…