José A. P. Santos "Processo de demolição do Savoy sem queixas", era este o título de um artigo publicado na edição do DN do passado dia 31/07/2010, e que mereceu o meu interesse, dado que está directamente relacionado com uma obra de grande impacto numas das zonas mais importantes da nossa cidade, e que promete fazer erguer um edifício de linhas modernas e agradáveis, para valorizar ainda mais o parque hoteleiro da nossa Região. Não que o anterior edifício não fosse igualmente emblemático; aliás, foi com alguma tristeza que fui assistindo ao seu progressivo desaparecimento, tanto mais que era uma referência desde a minha mais tenra infância. Mas enfim, esperemos que o novo Savoy seja, de facto, merecedor do nosso orgulho enquanto funchalenses, e possa igualmente contribuir para a tão necessária revitalização económica. Tendo em conta a dimensão e o impacto que uma obra de tal envergadura representa para aquela área urbana, foi com satisfação que tomei conhecimento do normal andamento dos trabalhos, e do cumprimento integral das normas exigidas para este tipo de actividade. Contudo, foi com alguma estupefacção que reparei no artigo igualmente publicado no DN, mas na edição do dia seguinte, 01/08/2010, intitulado "Vizinhos do 'Savoy' sob nuvem de pó", no qual se dava conta das queixas de quem reside, trabalha ou explora negócios na vizinhança das obras do Savoy. Ora vamos lá a ver: com uma obra daquelas, não me digam que não estavam à espera de pó, ruídos e outros incómodos decorrentes dos trabalhos a realizar? Esperavam o quê? Martelos pneumáticos que emitissem o som de alegres passarinhos a chilrear na floresta? O esguichar de suaves fragrâncias florais? Bem, com jeitinho, ainda contavam que os trabalhadores da empresa construtora fossem de porta em porta, vestidos de ninfas do bosque, a entregar cestinhos com bolinhos… Eu também não gosto de ter obras mesmo ao pé de casa, mas que remédio!, se têm que ser feitas… E mereceu especial atenção o destaque na notícia: "Apesar de não haver queixas formais, na zona faz-se contas ao incómodo causado". Então como é? Queixam-se ou não? Se se sentem lesados, há canais apropriados para recorrer e expor a situação. Não recorreram a eles porquê? Só reagem depois de vir a público uma notícia que aponta o bom andamento dos trabalhos? Compreendo que seja uma situação incómoda para comerciantes e moradores mas, meus amigos, tenham dó! Não estejam à espera que uma obra desta envergadura se faça com pinças e salamaleques! Às tantas, se fosse assim, ainda eram capazes de arranjar algo em que pôr defeitos…