M. G. A questão da secção de praia não vigiada não é transparente. Porque razão a praia não é vigiada e, se assim é, porque razão essa circunstância não está devidamente sinalizada (placas informativas de praia não vigiada), como aliás, é obrigatório por lei. Infelizmente outras razões que não a salvaguarda da vida humana parecem prevalecer também noutros pontos da Ilha, onde as instituições que estão tecnicamente habilitadas para este tipo de funções (Instituto de Socorros a Náufragos e ANASMADEIRA) foram preteridas. Certamente não será pela despesa que a segurança das praias poderia acarretar, até porque, por outras vias, é "assegurada" uma segurança, com recurso a elementos desprovidos de suporte institucional e organizacional que só poderia ser providenciado pelas instituições acima referidas. O sucedido deve servir de "aviso à navegação" para que se tomem as medidas adequadas, ainda em tempo, nas praias e recintos balneares sem vigilância ou onde esta é ssegurada por elementos que, apesar de credenciados, não têm o apoio logístico, organizacional e grau de exigência que o ISN ou o SANAS providenciam, sendo antes recrutados por, imagine-se, empresas de recursos humanos, de limpeza, clubes e associações, etc. Existem indícios de que alguém fica de ganho com este processo obscuro. Os únicos perdedores são os utentes das praias, como infelizmente o foi, a jovem sinistrada. O caos tende a instalar-se, se nada for feito. Urge uma iniciativa legislativa no sentido de melhor regulamentar a segurança das praias e recintos balneares, sob pena do socorro nas praias se tornar, cada vez mais, um negócio sem escrúpulos, onde a segurança dos utentes banhistas deixa de ser a prioridade. Fico triste pelo sucedido e pelos contornos envolventes. Em suma: que se apurem responsabilidades e que se tomem medidas para que, mortes por afogamento, nestas circunstâncias, não voltem a suceder na RAM. O meu sincero pesar à família enlutada.