Já temos um, ali para os lados da Ajuda. Ainda é pequenino, é certo, mas pode ser o embrião de uma futura prioridade aos transportes colectivos. Os adeptos dos Horários do Funchal, da SAM ou da Rodoeste, empresas de transportes amigos do ambiente, ficariam satisfeitos se conseguissem passar à frente dos automóveis que entopem o trânsito. Mesmo para quem vem de fora do Funchal em autocarro, a existência de corredores BUS, faixas para uso exclusivo dos transportes colectivos, poderia fazer uma grande diferença na redução do tempo de viagem. Os próprios automobilistas, ao perceberem que os autocarros lhes passavam à frente, pensariam em deixar o carro em casa, pelo menos uma ou outra vez para experimentar a alternativa. É importante que a Madeira ganhe alguma autonomia energética e para isso não basta produzir electricidade a partir de fontes renováveis. Como cerca de 60% da energia total consumida na Madeira é para os transportes, em particular combustível para os automóveis, qualquer política energética regional que almeje reduzir a dependência do exterior tem, obrigatoriamente, de apostar nos transportes colectivos. Para além dos problemas ambientais associados à queima de tanto combustível, a mobilidade baseada no automóvel é também um factor de perda de recursos económicos. Os gastos nos combustíveis constituem recursos financeiros que vão para fora da Região. Andar de automóvel empobrece a Madeira e reduz a sua autonomia energética, com a agravante de degradar a qualidade do ar que respiramos. Um passageiro no autocarro é menos um automóvel na estrada. É menos poluição e menos congestionamento no trânsito. É maior qualidade de vida, melhor ambiente e mais saúde pública. Para incentivar o uso do transporte colectivo é essencial responder às necessidades de mobilidade das pessoas e um factor muito importante nessa equação é a duração da viagem. Se ir de automóvel for mais rápido do que de autocarro será muito difícil convencer as pessoas a deixarem o veículo em casa. Os corredores BUS podem ajudar a resolver este problema na cidade do Funchal. É caro? Não é tecnicamente viável? Não há faixas disponíveis? Nada disso. Basta alguma sinalização e uma boa dose de fiscalização. As faixas da direita na rua 5 de Outubro e na 31 de Janeiro podem, facilmente, ser transformadas em faixas exclusivas para os autocarros, desde a quota quarenta ou, se quisermos ser mais ambiciosos, desde a rotunda da Fundoa. Na verdade, pelo menos na rua 31 de Janeiro, a faixa que poderia ser BUS está sempre inoperacional pois, apesar da linha amarela, muitos automobilistas param na berma, bloqueando a passagem dos autocarros e dos automóveis. A outra ligação ao centro do Funchal onde esta medida também poderia ser implementada, pois existem duas faixas em cada sentido, é a via ao longo da ribeira de João Gomes, desde o Campo da Barca. Na Avenida do Mar é também essencial criar faixas exclusivas para os autocarros, pelo menos enquanto a faixa sul não for completamente encerrada ao trânsito. Se quisermos tornar estas medidas menos radicais para os cidadãos mais auto dependentes, poderíamos optar pela criação de faixas BUS intermitentes, as quais funcionariam apenas em determinados horários do dia com o auxílio de sinalização semafórica. Este é o momento ideal para promover os transportes colectivos. Devido à crise, as pessoas estão mais interessadas em economizar nos combustíveis e, por enquanto, andar de transportes colectivos é mais económico, com a vantagem acrescida de ser também mais amigo do ambiente.

Hélder Spínola