J. Edgar Marques Da Silva Tenho constatado, nos comentários do DN, online, referências depreciativas da actividade da enfermagem como profissão e como licenciatura, que também, identificam quem as faz, com uma enorme ignorância ou talvez possíveis recalcamentos de infância. Esclarecendo, a Enfermagem construiu-se a si própria, aliás e como alguns depreciativamente a ela se referem, como "auxiliar de medicina", estamos muito orgulhosos da enfermeira Nightingale ter sido a primeira a "auxiliar a classe medica do seu tempo" fazendo notar quão importante era tratar e cuidar os doentes separando-os por gravidade da situação e acima de tudo, quão importante era a higiene e a lavagem dos mãos dos cuidadores ou prestadores de cuidados e tratamentos. Está escrito nos livros de história. Auxiliamos verdadeiramente e protegemos sim o doente. No inicio do Sec. XIX Florence Nightingale, colaborou com médicos e cirurgiões mais parecidos na época com "talhantes" e os "auxiliou" a alterar muitos dos seus procedimentos que potenciavam os riscos de infecção, assim como muitos médicos nos auxiliaram e ajudaram a desenvolver a enfermagem como profissão, em especial aos que leccionam nas universidades, que em muitas zonas do mundo, os estudantes de medicina nos primeiros anos são colegas de cadeira em muitas cadeiras na mesma universidade, nos países claro civilizados, como a Ucrânia por exemplo. Se os enfermeiros são vistos como "auxiliares de medicina", então os médicos são também "auxiliares do enfermeiro", se o objectivo global se centrar, no verdadeiro auxilio que devemos em conjunto e em equipa, prestar ao doente e à sua família. Como enfermeiro tenho um orgulho enorme de os ter como parceiros no cuidar e tratar de pessoas. Não é para admirar, que um dos melhores hospitais do mundo, o Johns Hopinks( 1000 camas, 22000 funcionários), com uma taxa de infecção hospitalar de "Zero", autorize e dê poder aos enfermeiros de interromperem qualquer procedimento, desde que sejam violadas, ou não respeitadas as regras de assepsia, entre elas a mais básica a "lavagem das mãos". Como dizia um dia destes, um Zé Qualquer" ou talvez um "Zé Ninguém", nos seus comentários online, referindo-se aos enfermeiros como "Auxiliares de Medicina" e meros fazedores "de picas e ligaduras", poderá constatar que aceitamos sim, auxiliar seja quem for na saúde, desde que esse auxilio se centre no utente e na melhoria da qualidade dos cuidados e tratamentos oferecidos ao utente e a todos os "Zèzinhos" desta terra. Mas é pena com tanta divulgação pela OE, sobre a enfermagem, a ignorância prevaleça, embora muita gente esteja já iluminada, como ficou conhecida na sua época, pela "Dama da Lâmpada" por ser a primeira a visitar e vigiar os doentes durante a noite, Florence Nightingale ajudou a iluminar muitas mentes amordaçadas e enclausuradas no prestigio de uma profissão que os impedia de ver "mais à frente", em pleno Sec XXI, temos infelizmente uns resquícios dessas mentes entre nós, será preciso um holofote porque uma lamparina de azeite não chega para os iluminar. Que falta nos faz hoje uma nova época de Iluminismo. Respeite-se acima de tudo, "cada macaco no seu galho", o seu prestígio e dignidade seja ele quem for; aos "Zé(s)de "língua afiada" esses não fazem falta, são ninguém. Aqui está bem viva a enfermagem, ciência que estuda a resposta humana à doença e aos processos de vida. Bem hajam!