António Ferreira A direita é, acima de tudo, uma sensibilidade, uma forma de estar. Claro que existe um projecto político associado, uma visão para o país, um percurso a percorrer. Liberal, conservador, ou os dois termos mesclados (liberal-conservador), podem estar assentes em valores e regras próprias, mas não há propriamente uma ideologia no sentido formal do termo. Desde o princípio foi isso que mais me agradou na direita. Nas tertúlias onde aprendi o pouco de sei de política e não só, nunca ninguém me disse «deves pensar assim», simplesmente fui incentivado a «pensar». Este singelo alvitre é tipicamente de direita. Não há uma forma correcta de cogitar, o importante é não nos agarrarmos a dogmas, preconceitos, ou sagrados preceitos. Sou de direita, parece uma afirmação ínvia, mas, de certo modo, não aprendi a ser de direita, já o era há muito tempo, simplesmente ignorava-o.