Deslocou-se recentemente à Madeira uma Delegação de Socialistas do Parlamento Europeu, onde decorreram as suas Jornadas Parlamentares, cujo tema foi "Reconstrução rumo a um Desenvolvimento Sustentável". A escolha deste local para análise e discussão do tema, mostra, desde logo, a solidariedade que sempre demonstraram o PS, quer a nível europeu, nacional e regional. Mesmo antes do Presidente do Governo, foi o primeiro - Ministro que no próprio dia 20 de Fevereiro, viajou para a Região, numa atitude de apoio e solidariedade para com todos os madeirenses. Feito o levantamento dos estragos, o Governo fez um esforço enorme, disponibilizando os meios para acorrer às necessidades, não obstante o momento de grande dificuldade económica que estamos a viver. Tudo o que foi identificado, foi apoiado. Infelizmente, foi preciso acontecer tamanha tragédia, para que as relações entre o governo central e regional se pacificassem. O clima de cooperação e entendimento pressupõe medidas de recuperação correctas, uma exigência qualitativa nas soluções, com pensamento, quer do ponto de vista técnico, quer do ponto de vista político. Ou seja, olhar a reconstrução com estratégia e desenvolvimento. O PS é um partido responsável, não tem postura mesquinha, não faz crítica pela crítica, mas aparece a ajudar e a servir os cidadãos no que for correcto. Por isso não se pode demitir da fiscalização na reconstrução. Foi proposta uma comissão de acompanhamento que foi chumbada no Parlamento Regional. Nenhum governante se deslocou à ALM a explicar o que quer que fosse relativo a todos estes acontecimentos. O desconhecimento de planos, de soluções independentes que ainda não estão no terreno, denotam falta de transparência e rigor. As pessoas que sofreram as maiores consequências, queixam-se de falta de informação e já não sabem onde ir colhê-la, porque ninguém sabe dar respostas. Juntas de Freguesias, Câmaras, ninguém sabe o que se vai seguir. Há muito que não há uma cultura de prestação de contas na região. Podemos concluir que esta catástrofe evitou que AJJ morresse asfixiado com a dívida e encontrasse um motivo de continuidade! Gostava de aproveitar a oportunidade que este espaço de opinião me concede, para, ainda que de uma forma modesta, poder homenagear duas figuras de destaque na vida regional, nacional e internacional: Maria Aurora e José Saramago. Conheci a Maria Aurora logo após o 25 de Abril, ambas recentemente chegadas à Madeira. Viviam-se nesse tempo momentos conturbados nas nossas escolas. Cruzámo-nos nessas lutas. Sempre foi uma mulher de causas e estive ao seu lado em algumas delas. Com tenacidade e sensibilidade, nunca desistiu de defender aquilo em que acreditava, não obstante as dificuldades do meio. Tive oportunidade de participar no seu programa de televisão Atlântida e que a tornou tão estimada no seio da comunidade madeirense, espalhada pelo mundo. Não só na área da cultura, enquanto colaboradora da CMF, mas também na sua participação cívica, teve um percurso que deixou marcas. Por tudo isso, considero-a uma mulher à frente do seu tempo. José Saramago foi um homem reconhecido por uns e incompreendido por outros. Não tive o privilégio de o conhecer pessoalmente, mas não é isso que me impede de o admirar. Conforme o próprio afirmou "quanto mais velho mais livre, quanto mais livre mais radical". Sempre controverso, quer pela frontalidade, quer pela forma polémica com que sempre expôs as suas ideias, ninguém poderá ficar indiferente à sua escrita reconhecida mundialmente e Portugal só pode ficar orgulhoso por ter sido atribuído a um cidadão seu, o Nobel da Literatura. Evocando Fernando Pessoa "morrer é só não ser visto". O tempo se encarregará de perpetuar a sua obra!
Isabel Sena Lino