Maria Teresa S. T. Góis O voto "consciente" da sra. deputada PPD na Assembleia Municipal do Porto Moniz, que impediu a aprovação do voto de pesar por José Saramago, por "não ser admiradora do escritor português", será de estranhar? É claro que não! Aqui se vê o alcance da "consciência" das pessoas eleitas e a sua cultura. Saramago era Comunista? E depois? Ter cartão laranja (ou outras equivalências), ser-lhe subserviente, arranjar emprego e empregos a familiares e afins, não é pior do que um comunismo? E em questão estava não o Homem mas obra. A obra que deu a Saramago e a Portugal um prémio Nobel da Literatura. Ou quererá a "consciente" deputada negar tal mérito? No seu tempo, Eça de Queiroz foi criticado e perseguido pela obra literária produzida, de critica acutilante fosse política ou religiosa. Há muitos anos que é autor obrigatório nas escolas. Saramago, ainda em vida, foi e é autor obrigatória no ensino do Português. Parece-me que a notória falta de admiração por Saramago (obra e Homem) não passará de uma falta notória de consciência e de cultura.