Manuel João Baptista Rosa Se o país está como está deve-se em grande parte ao investimento público improdutivo, obras faraónicas e de nenhuma utilidade é o que não nos falta. A partidocracia, da direita à esquerda, acha que todo o investimento público é bom porque gera emprego. Ouça-se o responsável pelo sindicato da construção que, do alto da sua autoridade de sindicalista eterno, quer é ter o pessoal empregado, não interessa como, nem que seja a construir mais estádios de futebol. Também não interessa se o investimento gera retorno económico ou social porque quem vier depois há-de apagar a luz e fechar a porta do atoleiro financeiro. A tão propalada reconstrução dá preferência à construção de casas em vez de adquiri-las; neste momento, a situação do sector imobiliário permitiria poupança, através da aquisição e não da construção, só que não interessa o barato, o que importa é construir, até para fazer esquecer a crise no sector turístico, vítima de estratégias erradas na opinião dos respectivos especialistas. Ridícula foi a campanha para atrair turistas com base no temporal - o turista quer é ver o céu e não o inferno. O monstro do hotel no Porto Santo, que qualquer estudo de viabilidade económica inviabilizaria, nasceu, cresceu e colapsou, tendo depois o Governo Central metido lá dois milhões de euros para salvar o que já estava condenado. Os contribuintes que se lixem, mas mais tarde ou mais cedo os erros financeiros pagam-se caro porque os credores não dormem e chega a um ponto que dizem basta. São eles que daqui para a frente vão ditar as regras do jogo, as empresas de rating assim o anunciam. Mas os políticos são espertos, não podem parar o investimento para não perderem o poder, se for preciso cortam nas prestações sociais e aumentam os impostos. Cá está a solução terrena para a continuação do investimento público e já agora das festas, última descoberta do marketing político para manter o pessoal entretido. O que interessa é que vamos todos ter emprego nas obras e mais uma vez, pelo menos por um ano ou dois, vamos todos ser felizes, depois talvez S. Pedro se lembre novamente deste sector e lhe dê nova oportunidade de sobrevivência. Assim vai a vida difícil dos nossos governantes que, para não perderem o poder, continuam na mesma senda, ainda que isso signifique novos sacrifícios para nada, prometendo um futuro risonho, só não se sabe para quando, tal como as religiões que prometem o paraíso para depois da morte.