Folgo ver a Educação no centro do debate político. E fiquem sabendo alguns, a quem a ignorância interessa, que não me calarei. Simplesmente porque não me conformo nem com a mentira, tampouco com a continuada traição aos educadores e professores que aqui trabalham e com a mistificação política de empurrar para a República um problema que constitui matéria de interesse específico da Madeira. O governo e a maioria parlamentar do PSD-M deveriam, mas não assumem, que uma nova organização do sistema não depende do Ministério nem da Constituição da República; que a existência de escolas com uma arquitectura adequada, um equilibrado número de alunos e um bom rácio professor/aluno não dependem do ministério; tal como a desburocratização do sistema, libertando a escola da tralha onde o essencial perde em relação ao acessório; a organização dos tempos curriculares e dos procedimentos pedagógicos, o trabalho social a montante das escolas e as políticas de acção social educativa, não dependem do ministério. Mais, uma verdadeira autonomia das escolas, suportada em uma identidade própria, a definição de um sentido de missão compaginado com a sua vocação; a criação ou adaptação inteligente da legislação; a colocação do aluno no centro das políticas educativas, inclusive, a definição de princípios e valores que estão muito para além do Estatuto do Aluno; mais escola pública e maior prioridade orçamental; a gratuitidade do ensino; o desporto educativo escolar, enfim, tudo isto não depende nem do ministério nem da Constituição. Mais, ainda, a ligação da escola à família que implica uma actuação integrada e multi-factorial; um bom Estatuto da Carreira Docente, um sistema de avaliação baseado em uma "cultura de desempenho"; a formação inicial dos docentes e o seu acompanhamento nos primeiros anos de leccionação; já agora, a contagem do tempo de serviço congelado para efeitos de reposicionamento nos actuais escalões e essa iníqua prova pública de acesso ao 6º escalão, entre tantos aspectos, não dependem da Constituição nem da Ministra da Educação. Tudo isto depende da Madeira autónoma e do seu Governo. É por isso que o Estado da Educação na Região é de falência. É o resultado de 36 anos ininterruptos de um só partido com essa responsabilidade. Está aos olhos de qualquer pessoa, nas palavras e no sufoco sentido pelos professores e nos alertas dos parceiros sociais. Estamos a pagar a ausência de projecto, a ausência de qualificação profissional, o desacerto entre a frágil formação dos nossos jovens e as necessidades deste tempo novo, exigente, onde tudo tem de ser construído com qualidade, com rigor, com disciplina e com projecto de cunho humanista. Estamos a pagar a factura da incompreensão e da teimosia partidária, o modelo absoluto, a verdade absoluta, a arrogância absoluta que deriva de uma maioria auto-suficiente, compaginada com uma Secretaria Regional da Educação e Cultura, incapaz de perceber que um sistema quando se fecha sobre si próprio é gerador de galopante entropia. Um sistema que não comunica, avesso a dar e a receber, que chumba todas as propostas da oposição, que não permite adaptações conceptuais, é óbvio que morre, lentamente. Morre, porque vê a Escola pelo prisma da construção civil, pelos estabelecimentos construídos ou redimensionados, o que corresponde a uma visão trolha do sistema. O sistema é muito mais do que inaugurações, hinos e discursos de circunstância. A Escola é o que lá se faz e os resultados que apresenta na Educação e Cultura de todo o Povo. Aí, estamos a décadas! Será que não enxergam?

André Escórcio