O líder do Partido Socialista da Madeira anunciou há dez dias atrás que se deslocaria a Lisboa para reuniões ao mais alto nível. O propósito era o de obter informações fidedignas acerca de diversas matérias relacionadas com a realidade Madeirense, a saber: Inatel, Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) e Lei de Meios. Uma vez que essa deslocação foi catalogada como um pedido de explicações, este dirigente socialista foi logo avisando que não faria declarações à saída das reuniões mas sim no dia seguinte, quando estivesse de volta à Madeira. Surpreendente para alguns, este comportamento gerou mal-estar em certos órgãos de comunicação social, dada a vontade de obterem, logo no próprio dia a informação quanto aos resultados de tais encontros. Depois da conferência de imprensa feita, no dia seguinte na Madeira, todos nós nos pudemos aperceber do porquê de tamanha inovação de Jacinto Serrão. É que numa conferência de oito minutos, o líder socialista não foi capaz de dizer rigorosamente nada de novo! Percebemos de imediato como seria confrangedor para o(s) ministro(s) por quem foi recebido, se apresentarem ao lado de alguém que não tinha rigorosamente nada para afirmar sobre os temas em causa. Jacinto Serrão foi a Lisboa tomar uns cafezinhos nos gabinetes ministeriais, para depois ter motivo para mais uma conferência de imprensa, onde demonstrou não pensar nada sobre nenhum daqueles temas e não ter novidade alguma para dar! Sobre o Inatel, a "novidade" é a de que existe uma solução para breve! Sobre a lei de meios a "novidade" é a de que a lei será cumprida dentro dos prazos da lei! Sobre o CINM vale a pena transcrever o dito por Jacinto: "estas questões dos offshores são questões polémicas e devem ser tratadas no contexto europeu e devem ser entendidas todas as medidas tomadas pelos diferentes governos nesse mesmo contexto. São questões que obedecem a uma estratégia clara por parte do Governo da República. O Governo da República tem todo o interesse em continuar com o CINM: em manter o processo negocial com a UE". O porquê de uma citação tão longa? Apenas porque ela é o espelho do vazio de ideias do PS sobre o que fazer com o CINM para além da demonstração de desconhecimento e de incompetência nela patenteada! Só a má fé ou a pura ignorância sobre o tema pode levar alguém a classificar o CINM com um offshores. É pública a utilização por parte de Francisco Luoçã desta expressão, mas isso faz parte de uma visão reaccionária do Bloco contra o Centro, que assim procura denegrir a sua imagem. Agora, que Jacinto Serrão siga o mesmo caminho, fazendo com que todos sejam colocados no mesmo saco e passando a ideia de que não existem entidades que procedem à supervisão e controlo das actividades ali desenvolvidas, isso é mau demais! É intelectualmente desonesto! Será ignorância? Mas não foi ele a Lisboa reunir com os Ministros e obter informações? Então é certamente má fé! Como pode querer convencer os Madeirenses de que em Lisboa apostam no CINM, quando todos já sabemos que foi o Governo da República quem abandonou o processo negocial em curso, ao não responder às questões colocadas pela Comissão, fazendo com que caísse a negociação? Post Scriptum: Serrão foi a Lisboa tirar dúvidas mas não foi capaz de perguntar aos Ministros pela justificação para que o subsídio de mobilidade não fosse alargado às deslocações marítimas dos Madeirenses! Ou será que ele também acredita na explicação do aumento de custos? Então o apoio não é conferido por viagem? Ou será que Serrão também julga (como Teixeira dos Santos) que os Madeirenses passariam a ir a Lisboa de avião e de barco ao mesmo tempo, para receber dois apoios?

Medeiros Gaspar