António Ferreira Com sentido crítico A. Manuel dos Santos coloca com assertividade a questão: até que ponto é factual o rodopio das notícias-sensação, das novas formas de comunicação, do burburinho interminável da sociedade contemporânea? E que consequência tem este ciciar permanente e imutável no indivíduo, se é que esta entidade ainda existe? Existe uma psicologia das massas, que inevitavelmente dilui a individualidade, a independência da nossa consciência e de forma indelével afecta o nosso carácter. A. Manuel dos Santos fala da permeabilidade do ser humano, que incapaz de manter a sua privacidade e dignidade subjuga-se e diminui-se. Por outro lado, será que teremos ética, quando nada podemos fazer perante vendaval de indignidade que prolifera na sociedade. Já diz o ditado, se não consegues vencê-los, junta-te a eles. A. Manuel dos Santos pede 5 minutos para pensarmos e reflectirmos, para mim foram com certeza cinco minutos preciosos de introspecção. Mas perante estes dilemas o que fazer? Camus diria: revolta-te! Marx exortou revolução! Todas estas soluções inevitavelmente pioraram a situação. Proponho então uma alternativa: desvaloriza o teu egotismo, não te leves muito a sério.