Francisco Leite Monteiro A chamada de atenção de Jorge Freitas Sousa no seu artigo de Domingo a propósito das relações entre Jardim e Sócrates, atribuindo ao Presidente do Governo Regional a autoria da designação de Pinto de Sousa quando se referia ao Presidente do Governo da República, é questionável. Sem fazer disso um 'cavalo de batalha', até sou capaz de disputar essa "paternidade"… Efectivamente, ainda Sócrates mal conhecia a 'cadeira do poder', em 'Opinião' no Diário de 30 de Maio de 2005 fiz referência, a propósito da sua tomada de posse na chefia do governo, pela primeira vez, ao «Eng.º Pinto de Sousa ou, como parece preferir que lhe chamem, José Sócrates, relegando o nome de família…». No mesmo ano e no mesmo espaço, em 30 de Novembro, a propósito do lançamento do famigerado choque tecnológico, relatava que o «Eng.º Pinto de Sousa, conhecido por Sócrates, o primeiro-ministro, evocou um êxito literário do século XIX que ao transpor para a actualidade não deixa de ser curioso…» - Alice, a figura central de dois livros que ficaram célebres, 'Alice no País das Maravilhas' e 'Alice Através do Espelho', criação de Lewis Carroll, que há menos de um ano voltou a ser sucesso nos cinemas. Passado um ano, em outra publicação, em 15 de Dezembro, num artigo 'Governar contra Portugal' em referência ao primeiro-ministro, o Eng.º Pinto de Sousa, remeti para uma nota em pé de página, onde se lia: «José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, Engenheiro Civil especializado em engenharia sanitária, ou apenas José Sócrates, como usa, omitindo o nome de família». Na mesma publicação, em 2007, em artigo escrito em 8 de Abril sob o título 'Sócrates e a magia do 'canudo'…', uma estória que ainda faz correr tinta, a propósito das trapalhadas que foram geradas à volta da licenciatura do primeiro-ministro, escrevi a terminar: «Quanto ao 'canudo' de engenheiro e à sua magia, é um problema que per se pouca relevância deve merecer. É fácil de imaginar, no entanto, o embaraço do primeiro-ministro que não se identificando como filho do pai, nem como filho da mãe, se vê de súbito privado de se intitular de Eng.º José Sócrates». Para rematar, pouco importa a paternidade que, neste caso, não me choca ser partilhada.