O PS é o partido que suporta o Governo da República e assume as suas responsabilidades em todo o país. A Madeira é uma Região Autónoma, com competências próprias, as quais têm também de ser respeitadas. Independentemente das cores dos executivos em exercício o que nos interessa, a nós PS-Madeira, são as soluções para os problemas da Região. E foi precisamente na minha condição de agente político com as responsabilidades que advêm das funções que ocupo a quem se exige um contributo válido e pertinente na busca de soluções que estive esta semana em Lisboa, onde reuni com responsáveis do Governo da República. Ali esclareci os mal entendidos que, de forma desconexa e infundada, se levantaram nos "media" relativamente à Lei de Meios, ao Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) e ao INATEL. Muitas notícias foram difundidas nos órgãos de comunicação social relativamente a estas matérias. Muitas delas, mais do que informar, desinformam. E os cidadãos têm direito a ser informados com base em factos e não em suposições, com base no conhecimento dos dossiês e não meramente em palpites. As lutas político-partidárias são legítimas, mas não podem ser um obstáculo à resolução dos problemas das pessoas, dos trabalhadores e da economia. E certas declarações de responsáveis políticos têm, nos últimos tempos, posto em causa a assunção dos compromissos do Governo da República para com a Região. Ora, é necessário esclarecer as questões que estão em cima da mesa, de modo a evitar polémicas que só introduzem ruído e perturbam os reais interesses da Madeira e dos madeirenses. Lei de Meios: Todos os valores da responsabilidade do Governo Socialista serão rigorosamente transferidos para a Madeira. Esperamos o mesmo da União Europeia e naturalmente do Governo Regional. Os madeirenses são pessoas gratas por natureza. Não compreenderiam que, depois da atitude responsável tomada pelo Governo da República e pelo Primeiro-Ministro, que foi totalmente solidário com a população da Madeira num momento de grande infortúnio, vissem agora abrir-se as portas de um conflito estéril entre os dois executivos por razões que nada têm a ver com o essencial das suas vidas: a casa, o trabalho, o apoio humanitário. Temos a certeza que isso não vai acontecer e que o interesse dos cidadãos será respeitado pelo GR. CINM: A questão dos "off-shores" é, acima de tudo, uma questão europeia e é nesse quadro que deve ser entendida. Nada em torno deste processo está encerrado e nada justifica as declarações ofensivas que põem em causa no processo negocial entre o Governo da República e a União Europeia. O Governo continua muito interessado em manter o CINM, por isso torna-se importante, talvez mesmo decisivo, que o Secretário do Plano e Finanças, Ventura Garcês, aprofunde o dialogo com o Ministro Teixeira dos Santos e, de forma concertada, os dois responsáveis arquitectem uma estratégia capaz de tornar o CINM numa mais-valia para a Região e para o País. Quanto à preocupação de base do PS-M nesta matéria, entendemos que a estratégia a seguir deve incluir um projecto gerador de riqueza, que não escamoteie a criação de postos de trabalho e sirva para relançar o CINM como um pólo diversificador e modernizador da actividade económica. INATEL: A questão do Inatel é, antes de mais, uma questão ambiental. Só depois, fruto das consequências ditadas por esta envolvente sobre o hotel do instituto no Santo da Serra, assumiu outras proporções, que culminaram no processo de encerramento da unidade e consequente desactivação dos postos de trabalho. Se o problema ambiental que deu origem ao encerramento das instalações não se colocasse, nada disto teria acontecido. De qualquer dos modos, está em cima da mesa uma solução, em vias de concretização e mais atractiva, que vai aumentar o fluxo de turistas à Madeira, contribuindo para ajudar o sector em crise.

Jacinto Serrão