1. "Teixeira dos Santos trava subsídio de mobilidade". O Ministro da Economia, Teixeira dos Santos, anunciou recentemente, que o subsídio de mobilidade que é dado aos madeirenses quando estes se deslocam ao continente por avião não será alargado às deslocações via marítima, apesar de Bruxelas ter dado luz verde para que tal fosse uma realidade. Embora esta seja uma reivindicação de todos os partidos na Madeira, por razões óbvias de justeza e de opção do cidadão da forma como quer sair da ilha, a verdade é que Teixeira dos Santos não entende assim e considera que numa altura de crise esta medida era despesista para o País. Fiquei incrédula. Temos um Ministro da Economia, que apesar de economista, não sabe fazer contas. Senão vejamos. Um Madeirense que viaje de avião num trajecto ida e volta, independentemente do valor da sua passagem, poderá ter um subsídio de mobilidade de cerca de 60€ pago pelo governo. Ora se optar viajar por barco a situação é exactamente igual. Omnipresente só ouvi falar que é DEUS. O Madeirense não consegue viajar em simultâneo em dois meios de transporte, logo não há acréscimo de despesa. Certo Sr. Ministro? Não tenhamos dúvidas, depois de tantas tropelias do Sr. Ministro em relação à Madeira, esta roça o ridículo das justificações. Está mais que visto que a sua raiva em relação à Madeira é notória e pessoal. Além disso evidencia não perceber que prejudica todos, mesmo aqueles que lhe são próximos politicamente nesta Região. 2. "Reconstrução avança mesmo sem dinheiro". Este foi um dos títulos no passado mês de Junho focado por este diário, relativamente às obras de reconstrução dos danos ocorridos pela intempérie de 20 de Fevereiro. Todos nós nos lembramos das ondas de apoio, de organizações não governamentais, das manifestações de solidariedade do governo, não só do Português, mas vários em todo o mundo. A devastação chegou aos olhos de todos e as promessas foram mais que muitas. Após o 20 de Fevereiro afirmei que tínhamos deixado de ser tratados como portugueses de segunda e que verdadeiramente sentíamos fazer parte de um País que não discriminava. Infelizmente, hoje vejo que, em muitas das situações, tudo não passou de simples palavras de circunstância porque, no momento em que precisamos da ajuda efectiva, o adiamento das medidas tem sido uma tónica constante. Mesmo sem dinheiro a reconstrução avança! Avança por necessidade, porque novo Inverno é já "amanhã". Avança porque as populações precisam de resposta e precisam de ajuda. Mesmo sem dinheiro a reconstrução avança, porque quem continua sem um tecto, sofre o desalento de não ter um espaço com a dignidade que sempre tiveram na sua vida. Ironicamente, o dinheiro que chegou, de forma directa ou indirecta as populações, foi o da solidariedade dos cidadãos, empresas e ONGs e o do Governo Regional. O Estado Português e a União Europeia que deveriam ser os primeiros a libertarem-se da burocracia e a avançarem logo com medidas efectivas de disponibilização de verbas, até hoje, continuam sem transferir o dinheiro que se comprometeram deixando as empresas e trabalhadores à beira de um ataque de nervos. Estas organizações, cujo primeiro objectivo deveria ser o de servir e acudir às populações tendo em conta tudo o que aconteceu, são aquelas que mais tardiamente estão a responder a quem delas necessita. Não tenhamos dúvidas, estamos a chegar ao limite do razoável . A situação começa a ser muito preocupante, mas mesmo assim a reconstrução avança!!! Veremos quando é que o Ministro das Finanças decide efectivar o que o governo Sócrates se comprometeu a apoiar.

Sara André