A Madeira está perante uma perspectiva catastrófica para o seu presente e futuro. Sócrates prepara-se para matar o Centro Internacional de Negócios da Madeira, a chamada Zona Franca. É inacreditável como a teimosia, insensibilidade e desfaçatez do actual Ministro das Finanças, por razões de vingança pessoal, ataca uma Região, privando-a de mais de 20 por cento do seu PIB e de uma receita fiscal adicional de IRC de pelo menos de 80 milhões de euros, que é mais do que o IRC pago por todas as outras empresas na Madeira e Porto Santo. Ou seja, a soma do turismo, banca, construção civil, comércio, industria, agricultura e pesca, não chega em IRC ao que estava previsto para a Zona Franca a partir de 2012. Tira à Madeira, tira a Portugal. A partir de 2012, em vez de uma receita de IRC superior a 140 milhões de euros a Madeira vai continuar nos 60 milhões. Isto para além da perda 2.800 postos de trabalho, directos e indirectos, na sua maioria muito qualificados e que auferem salários muito acima da média regional ou nacional. Um escândalo que não pode ficar sem revolta. Num país civilizado tal não aconteceria, até porque prejudica a Madeira mas não beneficia Portugal. Todas as empresas a operar no âmbito da Zona Franca vão embora para outras praças europeias como o Luxemburgo, Malta, Holanda, etc. Não ficarão na Madeira, ou seja em Portugal, porque deixaremos de ser competitivos. E lá se vão 80 milhões de euros, que era a receita fiscal prevista a partir de 2012. É óbvio que, como esse dinheiro é receita da Madeira, Teixeira dos Santos não perde nada e, assim, mata sem lhe doer. Por muito menos já se cometeram loucuras. Como é possível a Madeira perder tanto dinheiro, ver reduzido o seu PIB em mais de um quinto, ficar com cerca de dois mil, dos seus mais bem pagos trabalhadores, desempregados e não se poder defender? Não ter uma arma para evitar tamanha agressão. Nós não temos qualquer poder no que é essencial. Sem autonomia fiscal não vamos a lado nenhum. É o único instrumento que nos pode permitir, com imaginação e competência, encontrar rumos com rendimento acima dos actuais. E, se queremos proporcionar qualidade de vida e bem estar são precisas receitas adicionais às que actualmente geramos. Os serviços internacionais representam 80 por cento do PIB do Luxemburgo. Por sua vez representam um terço do PIB de países europeus como Malta e Chipre. O mesmo peso tem em Singapura e nas Ilhas do Canal. Ora, porque é que Lisboa não nos deixa viver do que parece ser um excelente ganha-pão para os referidos Estado europeus? Onde é que Portugal, com todos os sábios que tem ou teve, criou nestes 35 anos projecto tão eficiente e exportador de serviços como a nossa Zona Franca? É por essa falta de inovação que Portugal é o último da Europa. Mas não nos arrastem. Deixem-nos em paz, construindo o nosso futuro. Acho vergonhoso o Partido Socialista na Madeira, que sempre minou a Zona Franca e nunca a apoiou, venha agora fingir ser um seu fervoroso adepto. Se for honesto, o PS-M deve convencer Sócrates a reiniciar as negociações com Bruxelas sobre a Zona Franca, começando pelos seus militantes que fazem parte do Governo da Republica e que tudo aprovam contra a Madeira. Não é hora para traições. Quem é MADEIRENSE não pode fazer parte do governo de Sócrates, porque este quer a desgraça e a miséria para a Madeira. PS (1): Se eu pago taxas aeroportuárias não entendo porque os continentais não têm de pagar portagem nas "Scuts". PS (2): A participação portuguesa no Mundial foi como previsto no dia do sorteio. Segundo no grupo e eliminado pela Espanha. Qualquer um liderava Portugal para esse resultado.

Miguel de Sousa