Os padres não se devem deixar manipular pelo poder político, porque quando este abraça a Igreja, acaba por sufocá-la. A opinião é de Frei Bento Domingues.

Dominicano, professor, investigador, colabora em várias revistas, jornais e mantém, desde 1992, uma crónica no 'Público' onde lança um olhar ao nosso Mundo. E sobre a política e a religião tem um olhar muito lúcido: a Igreja deve ser aquela que alerta para a voz dos sem voz, para o poder dos sem poder, para as necessidades de todos. E encostada ao poder, abraçada ao poder, a Igreja será julgada também como poder. Por isso, acha melhor que os padres e bispos não estejam presentes nas inaugurações, até porque algumas dessas obras são fruto de uma política errada, muitas vezes opressiva e exploradora, que o padre não deve abençoar.

Frei Bento Domingues defende, ainda, uma revisão profunda naquela que é a posição da Igreja em relação à ética sexual, quer no domínio da contracepção, quer na teimosia em não considerar publicamente católicos os homossexuais. Da mesma forma, não entende porque não podem comungar os divorciados que se voltam a casar, nem porque razão continua reservado às mulheres o papel de varrer e colocar flores nos altares e não serem ordenadas sacerdotes.

Nicolau Fernandes