Francisco Leite Monteiro O apontamento "Volta o fantasma do palácio" de Sandra Cardoso, escrevendo de Lisboa e publicado na sexta-feira, em que o Palácio de São Lourenço é apodado de "fantasma", merece algumas reflexões - nada fantasmagóricas - sobre a sua "realidade" que importa ter presente e defender. Recuando a 2001, cabe recordar que o Diário em boa hora promoveu uma bem sucedida iniciativa editorial "É MEU - É TEU - É NOSSO", que movimentou os Madeirenses e a que logo aderi, desde então, em inúmeras ocasiões, não só no Diário mas também em outras publicações, a última da quais no Diário de Notícias de Lisboa, em 29 de Outubro do ano passado, sempre abordei sem me escusar a defender, como se impõe, a desocupação da velha fortaleza e a sua entrega à Região. O atraso do Governo da República em reconhecer que o Palácio de São Lourenço é pertença dos madeirenses e que à Madeira cabe decidir sobre o património regional sem, obviamente, o mesmo deixar de fazer parte do património nacional, para dizer o mínimo, é uma enorme abstrusidade. Será mesmo de qualificar de tacanhez ignóbil que, em pleno século XXI, se continue, como já escrevi, a impedir a criação dum espaço histórico-cultural, que possa um dia incluir os Museus da História e das Actividades Económicas da Madeira, bem como um "Centro Cultural" e também a sala de visitas e de convívio das gentes da Madeira e de quantos a visitam e revisitam, nesse padrão memorável que é São Lourenço onde, "dentro das suas muralhas se conserva, material e espiritualmente, a continuidade da sua História". Nessa perspectiva, faz pois, todo o sentido o projecto de resolução apresentado pelos deputados pela Madeira do PSD na Assembleia da República, no sentido da desocupação e entrega à Região, do palácio de todos os Madeirenses, não sendo possível conceber que haja um só Madeirense que, levado por politiquices avulsas, possa estar contra uma tal resolução.