Cláudia Gonçalves Venho por este meio expor uma situação de carácter familiar mas provavelmente com algum interesse de natureza pública. O meu marido sofreu um acidente de trabalho no último trimestre de 2009, estando ele a trabalhar numa empresa semi-pública. Após o acidente, o serviço de enfermagem e a Direcção da empresa fizeram questão de preencher uns relatórios de acidente internos antes do encaminhamento para os Serviços de Urgência do nosso Hospital, tendo sido eu contactada pelo meu marido para fazer o transporte. No dia útil seguinte ao acidente deveria fazer-se o encaminhamento para os serviços médicos da Companhia de Seguros da Entidade Empregadora. Infelizmente não foi isso que aconteceu. Passaram-se alguns dias e após reclamações directas à empresa nada foi feito, continuava o meu marido com dores sendo somente observado nas Urgências. Foi necessária a intervenção do Sindicato para o meu marido ser assistido pelos serviços médicos da Companhia de Seguros, após vários dias de espera com dor extremamente forte. Aquando da chegada ao departamento de ortopedia, mesmo antes da realização de exames, foi-nos dito que seria necessário efectuar uma intervenção cirúrgica e ficava novamente a 100% a médio prazo (seis meses). Realizada uma RM e apresentando-a ao médico foi dito que o relatório escrito e as imagens eram adversas, continuando a insistir numa cirurgia. Após as incoerências da RM foi enviada para Lisboa para ser analisada chegando às mesmas conclusões de cá. Após um período de espera foi proporcionado um plano de fisioterapia, não obtendo resultados positivos. No primeiro trimestre de 2010 foi submetido a uma intervenção cirúrgica, sendo ministrado três semanas após novo plano de fisioterapia e a curto prazo houve uma mínima melhoria clínica. A dor continuava de forma acentuada e o médico achou por bem aplicar duas infiltrações, uma na parte inferior do ombro e outra na parte superior. A partir dessa data o seu estado clínico começou a piorar drasticamente, o ombro começou a ganhar uma profundidade na massa muscular, não explicável pela parte médica. Tivemos de recorrer ao Serviço de Urgência do Hospital pois a dor era elevada. Semanas mais tarde foi encaminhado para um Hospital de Lisboa a fim de ser consultado por outro especialista em ortopedia fazendo novamente uma RM e aguardando até à data relatório da mesma (passados um mês e meio). Actualmente já foram feitos vários raio-x e o ortopedista enuncia que não encontra quaisquer irregularidades a nível de ortopedia que cause tanta dor e impossibilidade de mexer o membro superior direito. Por parte da Companhia de Seguros foi pedida uma nova reavaliação ao ombro em Lisboa. Para nosso espanto quando lá chegamos deparamo-nos com um psiquiatra que questionou o motivo da ida até lá, alegando no final que não podia fazer-nos nada visto que o problema do meu marido era de natureza ortopédica e não psiquiátrica. Novamente foi marcada nova consulta no departamento psiquiátrico da Companhia de Seguros, nos próximos dias. Até onde isto irá chegar, um simples problema inicial de ombro já dá desenvolvimento a consultas de psiquiatria? Continuamos a aguardar boas notícias e um despacho agradável para ambas as partes.