O mês de Julho vai a meio e começa a sentir-se aquele aproximar de férias, dos dias longos e das cálidas noites de Verão. É também o aproximar do final de mais um ano lectivo. Um ano que ficou marcado pelas incertezas quanto ao futuro da carreira profissional docente, sublinhada por uma estranha dança que se desenvolveu entre o Palácio de S. Lourenço e a Assembleia Legislativa Regional. Numa época em que parece que se ressuscitou a moda de dançar o tango, desde que se encontre o par certo, a dança por aqui verificada, de tão descoordenada que é, os passos não acertam, assemelha-se a um desfile de egos numa passarela. Esta descoordenação não teria grande importância se, por força dela, uma classe profissional, não estivesse a ser, continuadamente, prejudicada. Um ano lectivo começou e terminou sem que vissem as suas legítimas expectativas alcançadas. Continuam sem poder progredir na carreira, apesar de terem reunido todos os requisitos que lhes são exigidos. Caso único no país! Há aqui alguma entidade que não está a fazer o que é preciso e que, certamente, não fez o trabalho de casa. Quem é o responsável por toda esta trapalhada? Já basta a retórica do discurso repetido, demasiadas vezes repetido, que ninguém será prejudicado e que os interesses dos docentes serão sempre acautelados. Há anos que ouvimos isso. Há anos que esperamos que se ultrapasse a retórica, que fica bem em todas as alocuções públicas e que se efectivem essas nobres intenções. O problema é a Constituição da República? O estatuto político-administrativo da Região? O Representante da República? A teimosia politica das hierarquias governativas? Alguém tem que explicar, com clareza, o que é que emperra a solução para este problema. Na certeza, porém, que não foram os docentes que o criaram. Na certeza, também, que é absolutamente urgente, diria mesmo, imperioso, que nesta estranha dança, se encontre uma solução rápida que permita a todos os professores e educadores, a contagem do tempo de serviço que foi efectivamente prestado e que está "congelado" há cinco anos. Tem que haver uma solução e, principalmente, vontade política que ponha fim a esta longa travessia no deserto. No meio desta embrulhada e sem que se vislumbre quem vai desatar o fio a esta meada, aparece uma nova proposta de alteração ao Estatuto que adapta à Região o recentemente publicado (23 de Junho p.p.), ECD nacional. Mas, se as alterações nacionais vieram ao encontro das justas reivindicações dos docentes que exercem funções no continente português ao pôr fim à absurda divisão da carreira em categorias, a proposta apresentada, adapta o que de pior existe a nível nacional ao introduzir as vagas, deixando cair aquela que foi uma bandeira política do Governo Regional: não sujeitar a progressão na carreira a vagas de acesso. Afinal para que serve a Autonomia se não é para fazer melhor e diferente? Para adaptar a legislação nacional? Os professores e educadores que exercem funções, neste arquipélago do Atlântico, esperavam mais e melhor. Esperavam que quem sempre afirmou que aqui, valorizavam o exercício da profissão docente, assumisse as afirmações que produziu e não se escudasse num discurso, em tom de queixume fulanizado como se a responsabilidade das causas e dos efeitos fossem sempre infligidas por terceiros. Esperavam que quem durante todo este tempo criticou, e bem, o Governo da República por usar estas figuras de contingentação, não as adoptasse agora, escudando-se em investidas serôdias e cansativas a um inimigo externo como se esse pretenso inimigo fosse o único responsável pelas diatribes que enfermam o sistema educativo regional. Afinal que andaram este tempo todo a fazer? Será que Freud explicaria isto?
Marília Azevedo