À hora que escrevo este texto, ainda não é conhecido o Campeão do Mundo de Futebol de 2010. Como é habitual, chegamos a esta fase a torcer por fora, tentando escolher um favorito entre duas selecções que normalmente detestamos. Que pena não poderem perder ambos, que bom seria se o Uruguai tivesse chegado á final, sempre tem os "nossos" Fucile e Maxi Pereira e o assombroso Forlán… Mas não, quis o destino que se encontrassem no jogo decisivo a tangerina mais ou menos mecânica onde pontificam Robben e Sneijder, e os nossos vizinhos ibéricos, todos com cara de meninos de coro (com excepção do "coirão" Puyol), alicerçados no seu "tiqui-taca" irritante e eficaz, onde se destaca David "Fora-de-Jogo" Villa. À frente destas selecções, dois técnicos com um perfil que apenas é "queirosiano" no cinzentismo: Bert van Marwijk e Vicente Del Bosque não são nada exuberantes, quase não se dá por eles, e têm em comum o facto de ambos terem sido jogadores profissionais acima da média, o primeiro uma vez internacional pela Holanda e o segundo com 18 presenças na selecção de Espanha. Obviamente, a outra característica que os distancia do nosso seleccionador é o facto de perceberem de futebol… A nossa selecção voltou a dar uma pálida imagem daquilo que pode valer, e saiu pela porta pequena, sem honra nem glória, deixando como única marca neste Mundial aqueles irrepetíveis 7-0 frente à Coreia do Norte. O resto foi completamente insonso. Poderíamos ter baqueado com estrondo, como o fez a desconcertante Argentina e o seu beijoqueiro, histriónico e redondo Maradona.; ou vendendo cara a derrota até ao último minuto, como o fez o desinspirado Brasil do carrancudo Dunga. Mas não foi assim: pior só mesmo a nula Itália e a vergonhosa França, só que pelo menos o afastamento destes dois países alegrou meio mundo - os irlandeses ainda se devem estar a rir… Carlos Queirós já é passado. Provou que não tem mesmo unhas para o cargo. Os casos mal explicados ou mal resolvidos sucederam-se (Nani, Deco), houve erros de casting dispensáveis (Pepe, Duda) e opções incompreensíveis (como trocar Hugo Almeida por Danny contra a Espanha). O Mundial ainda não acabou e as confusões continuam, mas o senhor professor não se demite. A solução para a nossa selecção deveria ser revolucionária, adoptando o sistema tão em voga nos concursos televisivos, do tipo "Ídolos" e "Achas que sabes dançar?". Os jogadores seleccionáveis iam todos para estágio e iam prestando provas, individuais e colectivas, e sendo progressivamente eliminados ou salvos por televoto e por um painel de especialistas, por exemplo um comentador (Rui Santos), um treinador (Paulo Bento) e um jogador (Mantorras). Depois fazia-se uma grande gala semanal para anunciar os nomeados, que poderia ser mais ou menos assim: - Os portugueses votaram, e decidiram que os seis jogadores que estão em risco esta semana são: Miguel, Pepe, Deco, Duda, Danny e Cristiano Ronaldo. Miguel, o júri acha que tens muito "power", mas que o direccionas em excesso para os treinos nocturnos; do Pepe o júri acha que pode ter futuro, mas que se nota a falta da técnica e o controlo da agressividade; já o Deco foi muito elogiado pela sua técnica e visão de jogo, mas apenas quando está acordado, o que é cada vez mais raro; o Duda é muito esforçado mas precisa dum bom conselheiro de imagem, que lhe dê um jeitinho à cara e principalmente que lhe elimine a "crista"; o Danny tem timing, harmonia e ritmo, mas peca na finalização. Vai ser salvo pelo júri porque se ficar mais umas semanas poderá aprender o que são as balizas. Finalmente o Cristiano Ronaldo, que é um dos favoritos do júri, pois tem tudo para ser o vencedor do concurso, mas tem de aprender a focar-se mais Só assim conseguirá marcar mais golos na selecção do que nas férias em Nova York. É louvável o seu esforço em prol da harmonia entre as grandes potências (namora uma russa e engravida uma norte-americana), mas infelizmente esse excesso de actividade lúbrica não se traduz numa mais-valia em campo. Mesmo assim, o júri decidiu salvá-lo, porque ninguém marca golos divertidos como ele o faz, e porque fica muito bem nos anúncios. O mesmo princípio poderia ser aplicado na formação do Governo da República, mas isso é tem que dava para vários artigos. Acabou o Mundial, venha de novo a Crise…
Achas que sabes jogar?
É louvável o esforço de Ronaldo em prol da harmonia entre as grandes potências