António Ferreira Recentemente foi feito um inventário sobre o sector empresarial público. Descobriu-se, entre outras preciosidades, que o Estado produz chouriços! Este alastramento do poder estatal é pernicioso, na medida em que sabemos que o Estado não deve estar em todo o lado. Não é uma posição ideológica, trata-se de elementar bom senso supor que seria preferível que o Estado interviesse em menos áreas, mas que o fizesse melhor, do que intervir em tudo, tocando em todos, metendo o nariz em todo lado, com a subtileza de um rinoceronte.

Sou de opinião que o sector público deveria concentrar-se em três áreas: educação, saúde e justiça. Imaginemos um país onde as crianças saberiam ler e escrever, dedicar-se à matemática sem fastio; que a injustiça fosse punida celeradamente; e tivéssemos cidadãos rejuvenescidos com uma saúde vibrátil? Para além destes três sectores, há, certamente, o aprovisionamento de bens públicos essenciais, a segurança, a fiscalização e compensação das falhas de mercado, mas nada justifica o monstro que, tal como Adamastor, nos impede de ultrapassar este Cabo das Tormentas em que estamos imbuídos.