Ana Aveiro Olá doutor Gil. Eu sou a mãe da Marlene Andreia que no dia 17 de Maio foi à Urgência por motivo de problemas respiratórios. A minha filha é portadora de trissomia 21, com 12 anos de idade, operada ao coração. Neste dia 17 de Maio ela foi atendida por uma médica muito carinhosa (assim como todos os médicos e enfermeiras o foram e são desde o seu nascimento, o meu obrigado a todos). Esta médica que a examinou reparou que, a minha filha, tem os dentes estragados (e ela não come doces). Preocupada perguntou se ela não ia ao dentista! Eu respondi que sim, ela vai À consulta do Hospital. Mas, para tirar dentes, só no bloco operatório com anestesia geral. Assim aconteceu com os seus dentes de leite. Agora Marlene tem os dentes definitivos e a verdade é que não quero que ela os tire, de forma alguma, mas sim que os arranje. A senhora doutora neste dia pegou no telefone e ligou para o senhor doutor Gil a pedir ajuda. O senhor doutor disponibilizou-se de imediato, depois do pedido por escrito pela referida médica aos serviços competentes do Hospital, iria dirigir-se ao Bloco, trazendo consigo todos os materiais para a minha filha ficar com os seus dentes arranjados. Estou ciente, de que, a minha filha não pode nem deve ter os dentes estragados porque irá trazer-lhe problemas graves ao seu frágil coração. Senhor doutor Gil porquê? Porquê que se demitiu nesta hora que esta criança tanto precisava de si, da sua boa vontade? No Bloco não há materiais para arranjar, só para arrancar os dentes! Não, eu não vou deixar que essa maldade aconteça à minha filha, ela tem todo o direito e precisa dos seus dentes para comer, sorrir e mais tarde para falar. Ela não fala só diz seis ou sete palavras. Eu sei que, no Hospital São João, no Porto, onde ela foi operada ao coração, aos 4 anos de idade, têm todo o material para tratar da minha filha, uma vez que ela necessita de anestesia gera. Não pode ir ao consultório! Eu já falei isso ao médico que a segue nas consultas externas e o mesmo falou que não é fácil o Hospital pagar as despesas. Eu só sei que a minha filha tem urgente necessidade de arranjar os seus dentes e eu não tenho possibilidades económicas para o fazer, pois tenho seis filhos a estudar e é tudo muito complicado. Agora quem vai ajudar na saúde da minha filha? Senhor doutor Gil quero agradecer-lhe pela sua vontade em querer ajudar mas, infelizmente, não conseguiu. Quero dizer-lhe que fiquei muito triste pela sua demissão! Acredito que haverá mais crianças na mesma situação da Marlene. A elas desejo-lhes que os seus pais lutem, vão em frente, pois o nosso Hospital precisa urgentemente de ter um serviço completo no Bloco Operatório. Toda a criança tem direito à saúde oral. O nosso Hospital tem todos os serviços a funcionar em pleno exceptuando este. Por favor senhor director do Hospital ajude a minha filha e outras com igual problema. Obrigado doutor Gil que tanta falta nos faz!