António Fernandes Esperava uma reacção da tutela da Saúde a desmentir a gravidade das afirmações dirigidas aos responsáveis do sector. Estranhamente tal não aconteceu. Logicamente concluo que muitas das afirmações são autênticas, merecendo apenas um lacónico comunicado, em dia feriado (domingo), do Secretário, Dr. Jardim Ramos, afirmando que "a actual política da saúde é para continuar".
Depois, o Dr. Alberto João Jardim afirmou, em declarações ao JM, que os utentes estão sempre em primeiro lugar, mas que continua a manter boas relações com os profissionais de saúde e seus dirigentes. É uma no cravo, outra na ferradura!
A situação insustentável da saúde não permite consensos deste género. Já é tarde demais! Não é possível "agradar e gregos e a troianos". É preciso dizer basta e mostrar sinais claros e inequívocos de que o Presidente do Governo se demarca desta política de hostilidade aos profissionais de saúde e aos utentes do SRS.
Como justificar que o Director Clínico assuma um cargo público, de sensível relevância, quando foi condenado pela justiça de homicídio por negligência, na morte de um bebe???
Como justificar que o Director Clínico, seja um dos accionistas maioritários (senão o primeiro), da famosa Clínica da Sé???
Como é possível manter a imparcialidade e um comportamento ético, se continua a trabalhar na privada, colocando no hospital os amigos da "sua" clínica, na direcção de alguns serviços???
Se o Presidente do Governo manifestou-se contra o aborto, porque permitiu que a escolha para desempenhar este cargo recaísse sobre alguém que atentou contra a vida humana intra-uterina, ainda antes da aprovação da IVG?
Vejo que o Governo pactua com estas decisões irresponsáveis, colocando em primeiro lugar os interesses dos privados em detrimento do serviço público de saúde. As análises e exames são um logro, pois as pessoas esperam e desesperam pelo resultado das análises. Os transportes de doentes a mesma coisa: o doente espera uma eternidade para regressar a casa. Sempre votei no PSD, mas agora basta! Existem alternativas, quer à direita, quer à esquerda.
Sr. Presidente do Governo: com esta atitude de "tapar o sol com a peneira" acredite que perde mais do que ganha. O povo que vota em si está atento. Com as recentes atitudes da tutela só existe uma solução possível: votar em consciência, contra este Governo que espezinha os direitos dos utentes em favor dos interesses da clínica privada.