Um bombeiro profissional ou voluntário na expressão mais popular, tem por missão apagar incêndios urbanos e florestais, resgatar pessoas e animais em situações de risco, salvaguardar bens materiais, fornecer assistência nos desastres naturais e nos provocados pelo ser humano.

Mas, os soldados da paz, são hoje, chamados a intervir em quase todas as áreas da protecção civil, inclusive em incidentes com materiais perigosos, incêndios industriais, resgates de montanha e no mar, entre outras operações de elevado risco.

Os bombeiros têm ainda uma intervenção muito activa e de primordial importância no socorro médico às populações nomeadamente em consequência de catástrofes naturais, acidentes rodoviários, de trabalho, e no transporte e primeiros socorros nas residências.

Assim, é fácil concluir que estes homens e mulheres desempenham uma parte significativa do seu trabalho à comunidade em situações de alto risco. Ainda recentemente, aquando dos temporais do passado dia 20 de Fevereiro, o bombeiro Francisco Fernandes Belo, dos Municipais do Funchal, morreu no desempenho da sua profissão.

A questão mais óbvia que se coloca é se estes profissionais são considerados e remunerados de forma justa e compensatória face aos riscos a que estão expostos. Se os comandantes e dirigentes associativos lhes dão condições dignas para o desempenho das suas funções. Pelo conhecimento que tenho das diversas corporações da Região, estou em condições de afirmar que não.

Não é compreensível nem aceitável que a maioria destes homens e mulheres, pelo trabalho que desempenham, pelos riscos físicos e psicológicos a que estão sujeitos, recebam vencimentos ligeiramente acima do salário mínimo. Como não é aceitável que ainda hoje os bombeiros da Região não tenham uma carreira profissional definida. Há bombeiros com 30 anos de serviço que nunca progrediram na carreira. Tem havido uma enorme insensibilidade por parte do Governo Regional, Câmaras e Associações.

Do meu ponto de vista e pelos contactos efectuados, a carreira profissional dos Bombeiros Voluntários e Municipais da Região, deveria ser comparada aos Sapadores Profissionais em termos remuneratórios e em direitos sociais.

Por outro lado as entidades competentes já demoraram demasiado tempo para aprovar essa carreira. Por isso, é justo que a Assembleia Legislativa da Madeira aprove, o mais rapidamente possível, o estatuto destes profissionais. Um estatuto que dignifique e valorize os bombeiros madeirenses. Uma outra questão, não menos importante, tem haver com o facto da Região ter uma corporação de bombeiros por concelho, com excepção do Funchal duas e uma, em simultâneo, para os concelhos da Ribeira Brava/ Ponta do Sol/ e São Vicente/Porto Moniz.

Só que estas associações têm sido usadas, muitas vezes, para promover políticos e garantir regalias, nomeadamente tempos de reforma para alguns dos seus dirigentes em prejuízo da parte principal que são os bombeiros.

É, por isso, chegado o tempo de reflectir séria e serenamente se devemos continuar com tantas corporações, estilo capelinhas, com uma direcção e um comandante, ou se devemos caminhar para a constituição de uma corporação única regional, com delegações concelhias, lideradas pelos comandantes, rentabilizando desse modo os meios humanos, financeiros, técnicos e logísticos disponíveis.

Sou de opinião que com o actual modelo ou com outro os principais protagonistas devem ser sempre e em primeiro lugar, os bombeiros e não os políticos e os dirigentes associativos.

João Isidoro