Francisco Leite Monteiro Em diversas ocasiões, a propósito da morosidade do sistema judiciário, tendo presente os casos mais mediáticos envolvendo, nomeadamente, a corrupção, a pedofilia e outras formas de abuso sexual de menores, tenho apelado por uma justiça maior e mais célere. Para citar apenas alguns dos mais badalados, atente-se aos casos da "Casa Pia", do "Freeport", da "Face Oculta", do "Apito Dourado", envolvendo algumas figuras públicas, como usam chamar, dos mais variados sectores, incluindo, políticos, diplomatas, profissionais da rádio e televisão, casos que continuam a fazer as primeiras páginas dos noticiários da media em geral. Daqueles, o processo "Apito Dourado", associado à corrupção no meio do futebol nacional, viu o seu fim, há menos de uma semana, com uma decisão que ainda fará correr alguma tinta. Dos 16 arguidos, acusados de práticas ilegais, entre os anos 2002 e 2004, nem um foi condenado. O tribunal ilibou todos eles, não obstante a aceitação de escutas telefónicas porventura comprometedoras, que terão fornecido "elementos probatórios" com uma classificação de "inconcludentes". Nesta ponta final, reconheça-se que terá havido celeridade, mas ficaram dúvidas quanto à justeza da decisão. Um tal desfecho dá que pensar e, a ser generalizado o "modelo", colocando a celeridade à frente da justiça, descurando-a e, a eito, ilibando os arguidos, gera preocupação. Mais bem explicando, por exemplo no processo "Casa Pia", ilibar os arguidos seria agravar a situação de tantos jovens barbaramente vitimados, para gáudio dos culpados. Ora, como há mais de 7 anos venho escrevendo, nomeadamente no DIÁRIO [Opinião - 28.05.2003] a justiça não pode ser ultrapassada pelo tempo e, daí renovar o apelo pela celeridade com mais justiça.